Testemunhando sempre


Cativos do nosso orgulhoso saber somos propensos a querer que os nossos queridos sigam os mesmos caminhos religiosos pelos quais transitam nossas almas.

Assim agindo, vamos impondo, por vezes de forma ditatorial, nossa visão espiritual, fazendo com que aqueles que amamos, carne de nossa carne, se vejam cerceados no seu pensar e, por conseqüência, impossibilitados de exercer o seu livre arbítrio neste delicado campo.

Um jovem simpatizante da arte da jardinagem, inexperiente, desconhecedor das sutilezas do trato da terra e da vida vegetal, na expectativa de proporcionar à sua moradia, perfume e cores, determina-se a promover o plantio de algumas sementes de flores diversas.

Limpa e prepara a terra, providencia os sulcos, introduz as sementes e as cobre com terra fértil e, em seguida, faz verter, sobre cada cova, a água benfazeja.

Desatento e indolente, não dá o devido valor à água preciosa e a utiliza de forma intermitente e escassa.

Com o passar do tempo, constata que as sementes, em sua maioria, não germinaram; somente, algumas poucas conseguiram debilmente emergir do solo que lhes deu guarida, mas logo feneceram.

Decepcionado, desiste prematuramente do seu labor, achando-se impotente para conseguir seu intento.

Um segundo personagem, laborioso, persistente, crente na profícua semeadura, determina-se, por sua vez, a realizar o plantio de algumas sementes de flores diversas.

Para tanto, limpa e prepara a terra, providencia os sulcos, introduz as sementes, as cobre com a terra fértil e, em seguida, faz verter, sobre cada cova, a água benfazeja.

Diária, paciente e criteriosamente, derrama sobre cada sulco a quantidade justa de água pura, fazendo-a penetrar no solo umedecendo generosamente a tênue semente e a terra dadivosa que a envolve, facilitando o seu germinar.

Com o passar do tempo constata, prazenteiro, que as sementes, todas sem exceção, apresentam os primeiros sinais de vida, evidenciando o verde viçoso do vegetal em crescimento e expansão, emergindo do solo em direção aos céus, glorificando a vida.

No primeiro caso, a carência da água bendita impediu o surgimento de uma nova vida, enquanto que no segundo o derrame diário, paciente e criterioso deste liquor divino fez com que o potencial de vida enclausurado no interior da semente emergisse vigoroso, externando, para o mundo, suas promissoras belezas que enfeitarão a Terra no seu amanhã.

Nós outros, encarnados nesta Terra-mãe que nos abraça afetuosa, devemos nos conscientizar de que nada devemos impor a ninguém e, sim, testemunhar a nossa crença, independentemente do grau de amizade ou parentesco de que possamos desfrutar.

Se estivermos convictos do caminho que trilhamos, devemos exteriorizá-lo nos momentos oportunos, fazendo com que o nosso viver seja pautado pelos ensinamentos do Mestre do Amor.

Nossos olhos deverão externar a ternura tal qual Ele fazia com todos aqueles que tiveram a ventura de usufruir o Seu meigo olhar.

Nossos ouvidos deverão ser como que açudes de paciência, tal qual o Cristo Jesus presenteava aqueles que Lhe dirigiam a palavra.

Nossos lábios deverão ser fontes inesgotáveis de palavras dúlcidas, tal qual o Peregrino do Amor as emitia no dia a dia do Seu vivenciar.

Nossas mãos deverão se constituir em vigorosas alavancas de amor, tal qual o Divino Amigo fazia com as Suas, curando, acarinhando, abençoando todos aqueles necessitados que vinham ansiosos ao Seu amoroso encontro.

Nossas pernas deverão estar sempre prontas para o trabalho, tal qual Jesus fazia com as Suas indo ao encontro de todos aqueles que sofriam, levando a cada um deles o encanto e perfume da Sua presença.

Portanto, se você, irmão querido, que me oferta o carinho paciente da sua atenção, desejar que aqueles que você estima e ama sigam os mesmos caminhos espirituais que já lhe possibilitam usufruir as benesses do Pai da Vida, tenha sempre em mente que existe somente uma forma de consegui-lo, que é, testemunhando sempre, a cada momento do seu viver, os ensinamentos maravilhosos do doce Filho de Maria!