Tempo certo


O rio caudaloso da vida segue o seu curso e, singrando suas águas, somos impelidos a vivenciar as mais diversas experiências, conhecer as suas variadas paisagens, enriquecendo, consequentemente, nossas almas com mais uma oportunidade reencarnatória.

Algemados pelo pretensioso saber é muito comum querermos que aqueles que nos ofertam o carinho das suas amizades sigam os nossos passos, comungando conosco o mesmo pensar, o mesmo agir, esquecendo-nos de que somos individualidades espirituais, com virtudes e desvirtudes específicas, devendo cada qual encontrar o verdadeiro sentido de sua vida.

Neste afã de acertarmos, cometemos incorreções, enganos, muitas vezes, fazendo aqueles que amamos trilhar estradas ainda pedregosas para os seus pés, vislumbrar paisagens ainda sem colorido para os seus olhos, usufruir a aragem, ainda para eles, destituída de aromas perfumosos, fazendo com que se tornem escravos do nosso insensato querer.

É sabido que o dia somente surgirá quando o negror da noite for dissipado pelo sol, as chuvas somente banharão a terra quando as nuvens refertas derramarem caridosamente este liquor da vida, o ser humano somente renascerá para o mundo após meses de paciente e dadivosa gestação.

Tudo nesta vida tem um tempo certo de aflorar e não devemos querer que a árvore, ainda jovem, nos ofereça fruto dulçoroso, pois suas raízes tenras ainda buscam no interior da terra generosa a seiva bendita que trará vigor ao seu tronco, elasticidade aos seus galhos, fazendo surgir, somente no seu amanhã, as verdes folhas, o suave aroma das suas flores e o néctar dos seus frutos, devidamente sazonados.

É justo e sensato que não deixemos esta árvore sucumbir pelas intempéries e nem mesmo desenvolver-se desordenadamente, o que lhe acarretaria, no futuro próximo, prejuízos irreversíveis.

Torna-se necessário que, em oportunidades tais, coloquemos em prática a poda dorida, porém benfazeja, que conduzirá o tronco e os galhos para o rumo certo, para que a árvore, no amanhã de sua existência, venha a cumprir com acerto a missão que o Pai da Vida amorosamente lhe confiou.

Portanto, por onde nossos pés passarem, deverão sulcar a terra deixando um rastro evidente de paciência, de compreensão e de amor, respeitando a todos aqueles que não conseguiram caminhar lado a lado conosco, deixando para cada um deles o roteiro luminoso do Evangelho do Cristo Jesus para que um dia, amadurecidos, enveredem pelas estradas que, amorosamente, para eles tivemos a feliz ventura de desbravar.