Temor desarrazoado


A vida, no seu incessante transcorrer, nos reserva imensa diversidade de situações.

Desfrutamos, a cada instante, de novos cenários, paisagens, cores que podem tanto nos extasiar como nos entristecer...

Nos apercebemos, constantemente, de uma multiplicidade incontável de sons que, sutilmente, poderão conduzir ao interior das nossas almas, alegria, emoção, melancolia...

Enfim, vivenciamos, interagimos, buscamos encontrar nossos caminhos, usufruir as nossas próprias conquistas proporcionando-nos um porvir mais feliz.

Nesta busca incessante, movida na maioria das vezes pelo egocentrismo contumaz, enclausurado em nós mesmos, somos visitados pelo temor desarrazoado, elegendo-o como juiz absoluto das nossas existências.

Assim sendo, nosso olhar, falar, interagir, perdem a espontaneidade e passamos a ser regidos por este magistrado frio, insensível, tornando-nos dele escravos.

Automatizados, vamos, pouco a pouco, nos afastando do mundo, assumindo uma postura extremamente individualista que nos fará verter, no amanhã das nossas vidas, lágrimas de pesar e atroz arrependimento.

Prevenimo-nos contra aqueles com os quais dialogamos, desfrutamos, compartilhamos, convivemos, navegando nas águas gélidas do receio exagerado, fazendo nossos corações preencherem-se com a inércia amorosa, distanciando-nos das leis divinas da doce fraternidade.

Penetrante torna-se nosso olhar, frívolas nossas palavras, arredios nossos braços, frias nossas mãos, convertendo-nos em seres malqueridos, enredados pelas sombras do personalismo obstinado.

Assim agindo, nossa presença não inspira confiança, mas sim desinteresse, indiferença, esquecimento.

Gradativamente revestimo-nos da toga negregosa da solidão, isolando-nos do mundo e dos seres humanos, imprescindíveis ao nosso evolver rumo à pátria espiritual.

Por todas estas razões, a você alma querida, que, porventura assim se encontra, e que, carinhosamente, atenta às minhas modestas palavras, lhe peço, amorosamente, que reflita sobre elas e envide os seus melhores esforços para extirpar de si o temor desarrazoado que corrói o seu interior, infelicitando os seus dias.

Coloque em seu lugar a espontaneidade no olhar, no falar, no agir, fazendo emergir do imo da sua alma a sinceridade perfumosa, herdada por todos nós do Amantíssimo Pai da Vida.

Vá, coração amado, vá ao encontro daqueles que, com você, compartilham esta Terra abençoada e confie nas alheias potencialidades, por vezes, encarceradas pelo desamor.

Abra, sem temor, as comportas do seu coração para que irmãos do caminho, ao seu redor, possam externar os seus valores, dando-lhes a sublime oportunidade de crescer diante dos seus olhos, haurindo forças para continuar suas árduas jornadas.

Confie no Mestre do Amor, pois Ele o conduzirá pelo mundo afora, protegendo-o das intempéries da vida, acarinhando o seu, por vezes, dorido coração e os de todos aqueles que tiverem a ventura de usufruirem com você a mesma calçada.

Não receie o porvir.

Entregue-se amorosamente a Jesus para que Ele possa desenvolver o seu pendor fraterno e assim, no amanhã de sua vida, poder desfrutar merecidamente o aroma inebriante da eterna espiritualidade!