Solidão


Neste planeta bendito em que militamos, apesar de convivermos longo tempo com inumeráveis pessoas, gradativamente nos conscientizamos de que parte delas se encontra envolvida por dorida solidão.

No nosso caminhar, temos o ensejo de usufruir muitas amizades e, neste convívio, vamos nos apercebendo de que com o mesmo entusiasmo com que nascem, tendem, na maioria dos casos, a fenecer proporcionando-nos, neste interregno, crescente solidão que, paulatinamente, vai enregelando o nosso coração, fazendo-nos, por vezes, crer que estamos sendo alvo de injusta e amarga ingratidão.

O tempo vai transcorrendo e a vida, por sua vez, pacientemente, vai abrindo suas cortinas tornando visíveis aos nossos olhos suas inúmeras facetas dos mais diferentes matizes.

Novas oportunidades, novos lugares, novos seres humanos vão participando do nosso caminhar, enriquecendo nossas experiências, ensinando-nos naturalmente um novo vivenciar.

Entretanto, constatamos que as amizades continuam seguindo suas trajetórias e outras tantas situações dificultosas tendem a se repetir, fazendo-se presentes, ensejando-nos novas decepções.

Muitas vezes, nos encontramos rodeados e envolvidos por algumas poucas almas amigas que conosco comungam dos mesmos ideais, porém, na grande maioria das outras oportunidades, apesar de estarmos dividindo nossa presença física com muitas outras pessoas, sentimos pungente dor dentro do peito, evidenciando claramente a solidão como fiel companheira, entristecendo nosso olhar, fazendo chorar o nosso coração.

Mas, é justamente nesses amargos momentos que nos sentimos impelidos a voltar o nosso pensamento em direção a Jesus.

São nestes instantes que nos transportamos, além da matéria densa que nos serve de veículo, em busca do Mestre do Amor, sabedores de que Ele nos escuta, nos ampara, amaina as nossas dores, acarinha a nossa alma, enxuga o nosso pranto e docemente nos abraça, acalentando-nos com Sua terna emoção.

É justamente nesses raros e fugidios lapsos de meditação e de supremo silêncio que nos apercebemos usufruindo a presença do Cristo Jesus a envolver a nossa alma.

Ao com Ele dialogarmos, emanando nossos pensamentos e nossas emoções, através da oração emergida do nosso mais profundo sentimento, percebemos, intuitivamente, Suas mãos generosas, o Seu abraço fraterno nos dando a certeza de que, absolutamente, não estamos sós.

Por mais paradoxal que possa parecer, nesses momentos da mais pungente solidão, a nossa mente é invadida e, ao mesmo tempo, balsamizada por doce e imensurável alegria, porque sentimos definitivamene a perfumosa presença do Sublime Peregrino dentro de nós e, mesmo estando sós, mesmo que não tenhamos ninguém a quem possamos dirigir nossa palavra, em quem depositar nosso olhar, sentimos bem dentro do nosso peito que Jesus foi eleito o nosso mais dileto e amado Irmão.

Portanto, quaisquer que sejam as nossas vicissitudes, quaisquer que sejam os nossos desencantos, não vamos permitir que a solidão em nós faça guarida, porque ela somente se instala quando não temos o Cristo Jesus na alma e nem no nosso coração!