Simplesmente palavras


A você, irmão, venho neste momento, pedir o carinho da sua atenção para com estas modestas palavras que emanadas amorosamente do meu coração, espero possam adentrar o imo da sua alma.

No dia a dia das nossas existências, comungamos, em muitos momentos, com criaturas das mais variadas culturas, das mais variadas classes sociais, das mais variadas idades e, nestas experiências maravilhosas, dialogamos, trocamos palavras procurando adaptá-las a estas pessoas que nos dão o carinho e a paciência da escuta.

Porém, não raramente, nos deparamos com companheiros militantes na Doutrina Espírita que ainda não se aperceberam do dulçor dos seus ensinamentos e, por conseqüência, permanecem utilizando palavras vazias, envolvidas pela superficialidade dos seus sentimentos, evidenciando a fragilidade das suas almas ainda destituídas de respeito, de consideração, encontrando-se bem distantes do oásis reconfortante da fraternidade.

As palavras, quando se encontram orvalhadas pelo amor, são luzes benditas que clareiam o nosso horizonte e facultam aos ouvidos daqueles que nos escutam distinguir o suave murmúrio da amizade e do carinho que emerge do mais profundo do nosso ser.

Porém, quando as palavras se apresentam dele deserdadas, fundem-se em negror sombrio dificultando nosso evolver, levando aos ouvidos daqueles que nos escutam os sons frígidos e metálicos do desamor.

As palavras ditas, mesmo quando corretas, a pessoas que, por razões tantas, não tenham condições de compreendê-las e assimilá-las, esvaem-se no espaço fazendo com que percamos a sublime oportunidade de auxiliar e de amar.

Quando as palavras são emitidas trazendo consigo o lastro da vaidade, os ouvidos daqueles que nos dão sua paciente atenção, rápida e nitidamente se apercebem da presunção do seu conteúdo e não as conduzem ao coração, rechaçando-as, por vezes, com palavras que encerram o mesmo teor de vaidade com que foram por nós pronunciadas.

Quando as palavras ditas vêm envoltas pela capa do orgulho, aqueles que nos ouvem se apercebem claramente dos seus objetivos e, por vezes, reacendem em suas almas a chama cáustica desta desvirtude e a conversação perde o encanto, tornando-se frígida ou acalorada em demasia, perdendo-se a oportunidade maravilhosa de usufruírem o suave perfume da amizade.

Quando as palavras pronunciadas levam em seu bojo a inveja, aqueles que nos ouvem notam as suas sinuosas aspirações e sentem-se, por vezes, impelidos a se apartar perdendo tanto o interlocutor como o ouvinte ocasião oportuna de comungarem o tesouro da fraternidade.

Quando as palavras são emanadas dos nossos lábios sem terem sido banhadas pelo orvalho amoroso do coração, o nosso olhar nos delata, tornando-se visíveis aos olhos alheios a real intenção do nosso querer e, assim agindo, vamos, pouco a pouco, sentindo a presença torturante da solidão.

Porém, quando banhadas pelas águas cristalinas da sinceridade, compreensão, humildade, amizade, amor, aqueles irmãos que nos ouvem, mesmo que, por vezes, ainda ignorantes das jóias da espiritualidade, se dão conta das maviosas notas musicais emitidas pela doce orquestra que fez morada em nosso complacente coração.

Nestes momentos, os ouvidos daqueles que nos escutam e os olhos daqueles que nos vêem se apercebem da veracidade dos nossos sentimentos, que acarinham suas almas, fazendo-as transformarem-se e, quiçá, mudarem seus horizontes, iniciando uma profícua caminhada em direção ao Divino Salvador.

Entretanto, para que consigamos estes nobres intentos, torna-se necessário que nos dediquemos a leituras edificantes, as quais a Doutrina dos Espíritos as possui em abundância.

Desta forma estaremos enriquecendo o nosso vocabulário para que a palavra amor seja sempre o título das nossas conversações, fazendo brotar nos corações daqueles de quem nos aproximamos a semente poderosa e bendita da harmonia e da paz que o Cristo Jesus, pacientemente, nos legou.

Assim agindo, sem dúvida, ocorrerá um momento de rara beleza em nossas vidas, quando as palavras que outrora pronunciávamos já farão parte de um passado que nos parecerá muito longínquo, deserdadas que foram da doce morada das nossas almas, pois já feriram, em demasia, os nossos ouvidos, causando cicatrizes profundas em nossos corações que agora mantêm vínculo inquebrantável com o verdadeiro sentido do verbo amar.

Irmão querido, que Jesus faça jorrar em seu coração o liquor precioso do amor para que o seu doce aroma possa ser exalado através dos seus lábios em direção de todos aqueles que desfrutarem com você esta enriquecedora experiência terrena!