Simples resposta


Há muito tempo, um pobre homem, tendo vivido uma série de amargas experiências, cansado e extremamente decepcionado com o ser humano e consigo próprio, estava a meditar.

Procurava respostas que viessem amenizar os seus sofrimentos, dando-lhe forças para continuar enfrentando as dificuldades, na esperança de encontrar, em definitivo, a felicidade.

Assim dizia:

Jesus...

O que devo fazer para que a Sua luz adentre o meu obscurecido coração?

Como viver neste mundo envolvente, que enaltece a matéria, estimulando os instintos e não esquecer-me dos Seus ensinamentos?

O que devo fazer para expulsar da minh’alma a solidão implacável, substituindo-a pela Sua terna presença?

Como externar através dos meus lábios doces palavras, que possam acarinhar outros corações, como Você o fez, quando aqui esteve, fazendo-nos companhia?

De que forma tornar meus ouvidos pacientes como os Seus, que Lhe permitiam escutar os lamentos e as infâmias do mundo, para que pudesse amainar as dores e perdoar as ingratidões?

O que fazer para que os meus braços se transformem em pontes de amor, trazendo, para junto de mim, os deserdados da felicidade, como Você, pela Sua humildade cativante, demonstrou ser a ponte bendita, ligando a Terra aos céus?

Como fazer para que as minhas mãos sejam emissárias do carinho, do consolo e da caridade, como foram as Suas, que ofertaram, através da meiguice do Seu contato, estas jóias que emergiam do imo da Sua alma?

Como vislumbrar as facetas multicolores que a cada momento o mundo nos expõe da mesma forma que Você as enxergava, quando aqui esteve, mesmo tendo a alma flagelada pela nossa obstinada ingratidão?

Como fazer para conquistar a alegria de viver e transmiti-la a todos aqueles que possam usufruir a minha companhia, tal qual Você, amavelmente, fazia exalar, simplesmente pelo carisma da Sua presença?

Como manter o fraternal equilíbrio diante dos duros obstáculos que a vida nos impõe, tal qual Você, constantemente, testemunhava através da harmonia e da paz que emanavam do Seu amorável coração?

Como perdoar e fundamentalmente compreender, sem restrições, os equívocos alheios, como Você, mesmo preso ao madeiro infamante, caridosamente, perdoou os seus algozes que, devido à pequenez das suas almas, não haviam ainda compreendido a sublimidade da Sua sacrificante missão?

Como eliminar da minh’alma as emanações deletérias, provocadas pela constância dos meus erros, fazendo-a envolver-se pelo aroma perfumoso que exala incessantemente do Seu amantíssimo coração?

O que fazer para sentir a suavidade dos Seus passos acompanhando-me no dia a dia da minha existência?

Como Jesus? Como?

Assim suplicava o pobre homem, quando seus ouvidos espirituais, extasiados, captaram uma voz aveludada, parecendo que vinha dos céus acariciando seu coração, balsamizando a sua alma a lhe dizer: "Para que consigas desfrutar todos estes tesouros, basta, simplesmente, amar da mesma forma e com a mesma intensidade que Eu te amo!"