Severidade e complacência


Ao vivenciarmos nossa existência, em muitas oportunidades, nos sentimos agredidos pelas palavras, pelas atitudes, pelos gestos, até mesmo, pelos pensamentos daqueles que conosco comungam esta mesma jornada terrena.

Face a todos estes desencontros é, de certa forma, previsível que nós, frágeis seres humanos, procuremos defender-nos dessas adversidades apresentando, na maioria das vezes, forte tendência em permanecermos frios, indiferentes, alheios às diversas situações que a vida constantemente nos apresenta.

Nossa voz, paulatinamente, vai perdendo a doçura, o nosso olhar torna-se passivo, nossos ouvidos dispersivos e desatenciosos, nossos braços mantêm-se indolentes, nosso andar desanimado, enfim, sem que nos apercebamos, pouco a pouco, vamos nos envolvendo no pessimismo e, conseqüentemente, alienando-nos do mundo que, em mais esta encarnação, nos acolheu.

Tornamo-nos, gradativamente, pessoas neutras, impermeáveis e nos achamos agredidos pelo mundo, sem nos conscientizarmos de que, com as nossas atitudes impensadas, também, nos tornamos agressores, agindo da mesma forma que recriminamos.

Apresentamos, muitas vezes, tendência para nos acharmos prejudicados, julgados, criticados, convencendo-nos de que as pessoas que cruzam os nossos caminhos não são amistosas, sinceras, justas, mas sim mentirosas, inconseqüentes sem amor em seus corações.

Passamos a julgar o próximo com muita severidade e a nós mesmos com muita complacência.

Será que nós demonstramos amizade?

Será que a mentira não faz parte do nosso repertório?

Será que somos realmente compreensivos, pacientes, amorosos ...?

Será que agimos com o próximo da mesma forma como gostaríamos que agissem conosco?

Estas e muitas outras indagações deveríamos, com constância, fazer a nós mesmos para não mais continuarmos julgando, criticando, desestimulando, entristecendo, enregelando os corações que, como o nosso, buscam incessantemente encontrar a felicidade.

Enfim, deveremos envidar os nossos melhores esforços no sentido de sermos severos, para com os nossos próprios erros e equívocos e, ao mesmo tempo, complacentes para com os deslizes do nosso próximo e, assim agindo, gradativa, mas ininterruptamente, estaremos caminhando em direção aos ternos braços de Jesus!