Sem fronteiras


Grande parte dos seres humanos que vivenciam esta jornada terrena, envolvidos pelos afazeres e responsabilidades da matéria densa, sem se aperceberem, distanciam-se gradativamente dos caminhos do espírito, enveredando por atalhos perigosos, aprisionando-se aos instintos e paixões e deles tornando-se cativos.

Caminham pelo mundo, olvidando-se daqueles que seguem na sua retaguarda, na sua frente, ao seu lado, muitas das vezes, estiletados pela dor, trazendo no semblante a imagem viva do desencanto e do desamor.

Vivenciando tão somente o seu mundo particular e egoísta, esquecem-se dos sofrimentos alheios, das lágrimas vertidas, das tristezas profundas que acicatam suas almas, adoecendo por vezes seus corpos físicos, acarretando-lhes calvários dos mais pungentes.

Enceguecidos pelo querer, esquecem-se que estes irmãos são seres humanos também em busca dos seus objetivos e que sem ajuda, compreensão e amor embrenham-se pelas estradas tortuosas do desânimo, entregando-se ao marasmo da solidão que lhes serve de refúgio, tornando enfadonho o seu existir, levando no seu bojo o desencanto pela vida.

Frígidos, insensíveis para com o sofrimento alheio, seguem seus caminhos, destituídos de fraternidade e amor, sem se darem conta de que, na verdade, fazem parte deste imenso contingente de almas sofridas que, ansiosamente, buscam encontrar a doce felicidade.

O egoísmo neles incrustado cerra seus ouvidos, cega seus olhos, emudece suas vozes, paralisa seus braços, insensibilizando suas mãos e seus corações às dores alheias.

Buscam a felicidade e não a conseguem alcançar, sem se aperceberem que para conquistá-la e usufruí-la basta, empenharem-se para levá-la àqueles que também incessantemente a procuram.

Para tanto, é suficiente abrirem seus olhos, seus ouvidos, seus lábios, seus braços e suas mãos em favor daqueles carentes de amor e, como generosa retribuição, sentirão a presença do Divino Amigo a balsamizar suas almas, forrando com flores perfumadas o chão dos seus caminhos.

Ao se desvencilharem dos laços egoísticos da família carnal, da qual são partícipes amorosos, indo mais além, levar a corações que desconhecem, mas que percebem necessitados e sofridos, sua companhia, sua amizade, caridade e amor, encontrarão a harmonia e a paz, ante-salas da perene felicidade que tanto buscam encontrar.

Por vezes, apenas alguns instantes de paciência no seu escutar, brandura no seu olhar, doçura no seu falar, mansidão no seu gesticular são suficientes para amainar dores e dulcificar amargos corações.

Assim agindo o amor vai ampliando suas fronteiras indo buscar outras paragens além daquelas constituídas pelos laços consangüíneos e, assim, pouco a pouco, irão usufruindo e se conscientizando do verdadeiro sentido das suas vidas, qual seja:

"o de fazer pelo próximo tudo aquilo que para si gostariam que fosse feito!"