Renúncia


Querido, hoje gostaria de dirigir algumas palavras ao seu coração para que nele possa ser amalgamado o verdadeiro sentido da palavra renúncia.

É através dela que crescemos espiritualmente.

É através dela que evoluímos, acompanhados por Jesus.

É ao exercê-la, no dia a dia das nossas vidas, que conseguimos abrandar o nosso coração, compreender os caminhos pelos quais deveremos trilhar, entendendo, também, todos aqueles que conosco buscam caminhar.

A renúncia soa aos ouvidos de quem se preocupa com a matéria que nos envolve como algo inconcebível porque significa deixarmos de lado algo que nos satisfaz, algo que inebria o nosso ser.

Como estamos profundamente ligados a esta Terra bendita, que nos serve de mãe generosa, por razões tantas, temos muitas dificuldades em renunciar.

E, quando menos nos apercebemos, somos deste planeta escravos, caminhando lado a lado com a inferioridade e na busca incessante dos prazeres que a vida, paulatinamente, nos vai oferecendo.

O tempo passa, os dias transcorrem e nós, sem o aprendizado da renúncia, vamos agindo de forma errônea em vários campos de nossas atividades.

Não renunciamos a nada ou quase nada e quando assim fazemos é porque somos obrigados por forças maiores.

Os tempos vão seguindo e, num determinado momento de nossas vidas, quando o corpo se encontra cansado e a mente talvez desiludida, nós paramos para pensar, refletir.

E no retrospecto de nossas existências constatamos, com certa tristeza, que a pouco renunciamos e que todos os nossos passos visaram a encontrar as nossas próprias alegrias, esquecendo-nos de estender os nossos braços àqueles que necessitavam, de acompanhar os corações sofridos, de dizer palavras doces aos ouvidos desesperados, de despejar o nosso olhar doce e manso nos olhares que se encontravam apedrejados pelo desamor.

Achamos dificultoso encontrar o bom caminho no final das nossas existências.

Choramos, nosso coração se entristece e as lágrimas banham o nosso rosto incitando-nos a evoluir, mudar o nosso sentir, a nossa forma de amar.

Nestes momentos, quando nos encontramos alquebrados, é que buscamos o Cristo amado para pedir perdão dos dias em que não cumprimos com as nossas responsabilidades, em que O olvidamos.

Buscamos o Cristo, com tanto amor, nos esquecendo, porém, de que este sentimento momentâneo terá que seguir uma longa caminhada para realmente ser definido como um amor maior, perene.

E, como buscarmos este amor?

Como sentirmos este perfume?

Como nos apercebermos de que estamos envolvidos pelo Cristo Jesus, nesta nossa caminhada?

Simplesmente, renunciando a tudo aquilo que nos envaidece, a tudo aquilo que fazemos por nós próprios, esquecendo aqueles que têm necessidades.

A renúncia evidencia o bom senso porque, através dela, abdicamos daquilo que nos é supérfluo, que nos é dispensável.

Assim agindo, novas alegrias vão se adentrando em nossos corações pois a renúncia, anteriormente dolorosa, passa a ser uma renúncia doce e amorosa, e através dela, o nosso coração vai se enchendo, pouco a pouco, de felicidade:

a felicidade de um sorriso encontrado ao darmos o nosso abraço,

a felicidade de entregarmos o pão aos corpos famintos e ressentidos pela dor,

a felicidade de caminharmos, lado a lado, com todos aqueles que militam nessa Terra em busca desta mesma felicidade, que já alcançamos,

a felicidade de irmos ao encontro daqueles que se encontram adoentados, no corpo físico, levando a nossa presença, a nossa companhia e o nosso calor humano,

a felicidade de termos os nossos ouvidos sempre atentos a escutar as lamúrias daqueles que ainda não compreenderam as alegrias que a vida pode trazer-nos,

a felicidade por compreendermos os corações maltratados e feridos que ainda ofendem, agridem na busca de encontrar o seu lugar, quando esse lugar seria no silêncio, na compreensão e na renúncia dos valores da matéria.

A renúncia, aos poucos, vai nos enredando, vai nos conquistando e vamos nos tornando pessoas mais bonitas por dentro, enriquecendo a nossa alma.

E, na humildade do nosso agir, conseguimos alcançar a felicidade que antes nos parecia tão distante.

E, assim sendo, de renúncia em renúncia, vamos arquitetando o nosso porvir, que se vê iluminado por suave luz porque, a cada degrau construído, nos apercebemos estar docemente acompanhados por Jesus!