Reencontro


Quem somos nós senão almas fugidias à procura da felicidade?

Quem somos nós senão almas combalidas a caminho dos braços do Cristo Jesus?

Quem somos nós senão almas eternas viajando inexoravelmente em direção da luz?

Para nós espíritas, quando estamos estagiando na erraticidade, quando permanecemos cativos do outro lado da vida, assumimos, para com nós mesmos e para com outros espíritos, entrelaçados pela força das afinidades, compromissos, responsabilidades, missões a serem vivenciadas, na longa e redentora jornada terrena.

Levando em nossa bagagem virtudes e defeitos próprios dos espíritos a caminho da evolução, assumimos um novo corpo carnal, que nos servirá de veículo, facultando-nos percorrer as estradas da vida para que, um dia, possamos desfrutar a amorosa companhia de Jesus.

Reencarnamos...

Já no doce ventre materno começamos a usufruir os eflúvios amorosos dos corações que nos darão guarida em nosso vivenciar.

Sentimo-nos amados ou não, dependendo do estágio espiritual em que se encontra o coração materno que se propôs a nos receber, propiciando-nos novo ensejo, nova oportunidade de renascer, viver, evoluir.

Nove meses se passam e, como que por encanto, nosso ser indefeso e necessitado de carinho, proteção e amor, se apercebe novamente envolvido pelo mundo material que lhe servirá de palco para nova encarnação.

Inicia-se, a partir deste instante, um longo, profícuo, e, ao mesmo tempo, sutil processo de renúncia.

Deixamos o conforto, o aconchego e o calor do ventre que nos acolheu para sentirmos, pouco a pouco, as intempéries que a vida terrena nos impele a experimentar.

O frio, a fome, a sede, a dor, o carinho, o amor, e tantas outras experiências maravilhosas vão se afigurando como novas paisagens, transformando nossas existências, facultando-nos novos conhecimentos, impulsionando-nos a um novo caminhar.

Desenvolvemo-nos física e mentalmente.

Gradativa, mas ininterruptamente, vamos assumindo responsabilidades para conosco e para com aqueles que em nossa companhia comungam esta bendita jornada.

Quando crianças, sutilmente, vemo-nos, assumindo novas posturas, novos aprendizados.

Num átimo, nos encontramos revestidos pelo corpo carnal, evidenciando a chegada da adolescência e, com ela, o lastro dos méritos e deméritos amealhados ao longo das inúmeras encarnações retificadoras.

Muitas alegrias e, também, muitas tristezas experimentamos no transcorrer dos tempos.

Novas experiências vão sendo enquistadas no cadinho de nossas almas, depurando-as.

Quantas renúncias efetuadas!

Quantas horas de reflexão despendidas!

Quanto esquecimento das realidades da vida espiritual!

Quantas vezes nos apartamos do Cristo Jesus e quantas vezes voltamos a pedir-Lhe Seu doce consolo!

Sim, pobres seres humanos que somos, enredados pela matéria inebriante, em busca constante da felicidade sem, na maioria das vezes, nos esforçarmos para conquistá-la.

Em determinado momento desta escalada vivencial, nossos olhos se encontram com outros olhos que parece conhecerem-se de outras remotas épocas, nosso coração se harmoniza com outro coração, nossos sentimentos se entrelaçam e sentimos, nitidamente, o aroma perfumoso do amor penetrar em nossas entranhas, balsamizando-nos, dando-nos novo alento, nova luz, novo brilho ao nosso olhar, mais brandura a nossa alma.

Com o transcorrer dos primeiros contatos, o mundo parece ter adquirido novo colorido, novo brilho; nossos problemas tornam-se menos difíceis, nossas estradas mais floridas e perfumadas.

Nosso sentimento se dulcifica, nossa alma se eleva e nos conscientizamos de que o amor, o sublime amor, bateu à porta do nosso coração e, suave, ternamente, fez morada dentro de nós.

Sentimo-nos rejuvenescidos, serenam-se as nossas emoções, ao mesmo tempo que se apaziguam os nossos anseios, fazendo vibrar, intensamente, as fibras mais profundas do nosso sentir.

Reencontram-se, finalmente, no plano terreno, dois corpos de carne, jungidos em espíritos desde os idos tempos da erraticidade.

O amor finalmente chegou para ficar em nossos corações e, com ele, sublimes oportunidades virão gradativamente ao nosso encontro.

Compromissos, responsabilidades e missões assumidas no além, finalmente, tornam-se palpáveis realidades na terra, proporcionando às duas almas que se uniram, aproximarem-se mais e mais de Jesus e tudo isto em nome do amor.