Pérolas enclarusuradas


Percorrendo as calçadas do mundo, fatalmente, iremos encontrar seres humanos com os mais diversificados pendores, carregando em suas intimidades, a somatória das experiências vividas durante o profícuo processo reencarnacionista que, gradualmente, vai lapidando as suas almas para que, um dia, venham a brilhar, conquistando, em definitivo, a própria luz.

Estas criaturas, por ora, ainda prisioneiras dos tentáculos do egoísmo, tomam-se observadoras perspicazes, julgando cada palavra, cada atitude, cada ação, daqueles que lhes presenteiam com a honra da companhia, através das lentes embaçadas pelas suas análises tendenciosas e superficiais, impedindo-as de divisar os tesouros, incalculáveis, da fraternidade.

Os seus olhos especializaram-se em descortinar eventuais equívocos alheios, os seus ouvidos em detectar os acordes desarmoniosos que, porventura, emitam e, assim, sem se darem conta, vão vestindo a toga da magistratura auto-suflciente e implacável, distanciando-se, cada vez mais, dos caminhos perfumosos do amor.

Com o passar dos tempos, transformam-se em pessoas mal-queridas, a palmilharem as vielas da vida, tendo como inseparável companhia, a frígida solidão.

Incapazes de perceberem as virtudes que as criaturas que as rodeiam já trazem incrustadas em suas almas, somente conseguem distinguir, naquelas, densa escuridão, onde se bem atentassem, acabariam por notar vestígios de luz, prestes a transformarem-se em fulgurantes claridades, bastando para isto, que recebessem o devido reconhecimento daqueles que usufruem as suas presenças.

Por estas razões, a você, caro leitor, que me dá a honra da atenção, peço que procure refletir sobre estas modestas considerações e, alicerçando-se nos sábios e dulçorosos ensinamentos de Jesus, espero, possa ajuizar, consciente justa e amorosamente sobre o que, humildemente estou a lhe propor.

Em todos os momentos que usufruir o convívio de quaisquer seres humanos que lhe presenteiem com a jóia da atenção, procure, independente do credo que professem, da raça que pertençam ou da cor que os caracterize, empenhar-se fraternalmente, para descobrir as pérolas que já trazem incrustadas em seus corações, cujo brilho e beleza, eles próprios talvez, desconheçam possuir, contribuindo assim, para que venham a resplandecer, tal qual, o Divino Emissário do Amor, há mais de dois milênios, aguarda, pacientemente, de todos nós.