Mesmice


Nas estradas da vida, muitas vezes nos deparamos com paisagens que entristecem nossos corações.

As realidades, que incessantemente o viver nos impõe, fazem com que a verdade se descortine diante de nós, fazendo-nos sentir o odor acre das desilusões.

O mundo, sutilmente, vai nos amplexando, fazendo-nos desfrutar as suas delícias e, sem que nos conscientizemos, passamos a ser súditos fiéis do reino da matéria ilusória e efêmera.

Passamos a sentir o que a maioria dos seres humanos sente, passamos a pensar dentro dos mesmos parâmetros, a falar utilizando frases desgastadas, na maior parte das vezes deserdadas de conteúdo fraterno, a agir como autômatos despersonalizados distanciando-nos, cada vez mais, dos caminhos do amor e, por conseqüência, do todo ternura, Jesus!

Porém, com o passar do tempo, começamos a perceber que as pessoas com as quais dividimos nossos caminhos, ainda presas à matéria envolvente, já não nos trazem expectativas, pois na superficialidade do seu viver, não satisfazem a fome de amor fraternal latente nas profundezas do nosso eu.

Nossos olhos carentes de ternura e sinceridade não encontram reciprocidade em outros olhos, nossos ouvidos extenuados da escuta de palavras vazias, em vão, buscam outros sons que conduzam ao nosso coração doçura e esperança, nossa voz vai à procura de ouvidos pacientes que compreendam e acalmem a nossa alma e nossas mãos, cansadas de viverem sós, procuram outras mãos que comunguem os mesmos ideais.

Neste interregno, entre o reinado da matéria e o do espírito, somos incitados à reflexão e nos perguntamos: Serão tão somente estes os valores que a vida me oferece?

Os sonhos perdidos, já há muito tempo, transformaram-se em austeras realidades trazendo lágrimas aos nossos olhos, lentidão aos nossos passos, ociosidade às nossas mãos e melancolia ao nosso coração.

O pessimismo, encontrando campo fértil, a cada instante, enraíza-se em nós, nutrindo a nossa alma com seus miasmas deletérios, fazendo-a vivenciar escaldante desilusão.

Durante estes momentos de sofrimento indescritível, buscamos, desesperadamente, os tesouros do equilíbrio e da paz, que, pouco a pouco, fomos deixando ao longo das experiências vividas.

Esquecemo-nos de que somos filhos do Eterno Pai de Amor e que, na Sua bondade infinita, nos brindou com olhos de ver, ouvidos de escutar, lábios de falar, mãos de realizar, riquezas estas de imensurável valor.

Mas nós, ainda escravos do nosso próprio egoísmo, buscamos estes tesouros em outros lugares quando todos eles estão incrustados em nós próprios, bastando tão somente que os valorizemos condignamente e deles façamos judiciosa e caridosa serventia.

Observemos ao nosso redor e veremos que muitos ainda não se aperceberam destes tesouros que começamos a vislumbrar e, criando coragem, vamos ao encontro dessas criaturas sofridas e desequilibradas presenteando a cada uma delas com dúlcidas esperanças que já começam a perfumar o nosso viver.

Ofertemos com ternura o nosso olhar, iluminando suas estradas ainda tão obscurecidas.

Coloquemos, pacientemente, os nossos ouvidos, ao dispor destes irmãos ensandecidos pelas tristezas escutando o seu lamuriar, por vezes egoísta, ofertando-lhes as nossas melhores atenções que, de há muito, não recebem.

Conduzamos nossos braços e nossas mãos em suas direções auxiliando-os, caridosamente, em suas jornadas tornando menos áspero o chão dos seus caminhos.

Façamo-los usufruírem a nossa companhia afetuosa para que consigam desvencilhar-se das malhas da solidão que cruelmente os aprisionam.

Desta forma, estaremos a todos ofertando os tesouros conquistados em forma de amor caridoso que, sutilmente, fez morada em nosso coração e, sem que nos apercebamos, estaremos fazendo com que o mundo ao nosso redor se torne mais humano, mais colorido, mais perfumoso.

Nossa alma, assim, irá adquirindo, em definitivo, a candura dos piedosos, a paciência dos mansos, a força dos justos e a doçura dos amorosos, tornando o nosso viver mais feliz, pois estaremos, merecidamente, desfrutando da eterna e fértil seara de Jesus!