Inconstância


No cotidiano das nossas vidas, nem sempre conseguimos perceber o quanto somos inconstantes no nosso falar, no nosso proceder e, fundamentalmente, no nosso pensar.

Nossos olhos, em algumas oportunidades, são capazes de emanar ternura, piedade, amor, e, em outras tantas, agressividade, desprezo e ódio.

Nossos lábios são capazes de proferir doces palavras de incentivo, de elogio evidenciando o nosso compreender, e, vezes outras, de pessimismo, repletas de críticas, exalando o odor ácido produzido pela ausência do doce aroma que se reveste a fraternidade.

Somos capazes de escutar com paciente atenção, palavras de diversos conteúdos, porém, em outras oportunidades, nossos ouvidos cerram-se, insensíveis aos sons a eles endereçados.

Nossos braços são capazes de exteriorizar carinho, saudade, reconhecimento, consolo e em outros momentos, deixar extravasar abraços desprovidos destes tesouros, porém refertos de insensibilidade e frieza.

Nossas mãos são capazes de acarinhar, proteger, acalmar, como também, em ocasiões outras, de agredir, omitir, provocar.

Somos capazes de realizar atos de fraternal heroísmo e, por vezes, de apatia e acovardamento.

Somos capazes de conquistar vitórias brilhantes pautadas pela inquebrantável força de vontade e, em outras tantas ocasiões, de derrotas decepcionantes, alicerçadas no desânimo e na indolência.

Somos capazes de dirigir os nossos passos ao encontro daqueles que se encontram amplexados pela dor e, instantes outros, afastamo-nos carregando conosco o lastro da ingratidão.

Somos capazes de mitigar a sede e a fome daqueles que se encontram à deriva na vida, como também, em outras horas, permanecemos omissos, envolvidos pelo torpor do egoísmo.

Somos capazes de ir ao encontro daqueles que se encontram enregelados pela solidão física e espiritual e, a seguir, olvidá-los na sarjeta do mundo, esperando que a morte os enlace.

Filho querido, procure analisar em detalhes estas modestas considerações e esforce-se para sentir a necessidade que temos de inserir, no âmago da nossa alma, a jóia que denominamos de equilíbrio.

Para que possamos conquistá-la e dela desfrutarmos basta, tão-somente, que vivamos o dia a dia das nossas existências como se estivéssemos caminhando, lado a lado, com Jesus!