Expectativa


No dia a dia das nossas experiências terrenas, as preocupações, de todos os matizes e intensidades, vêm ao nosso encontro, fazendo-nos companhia.

Ao assimilarmos suas imposições, perdemos, na maioria das vezes, nossa paz e como conseqüência nos desarmonizamos, fazendo com que o desequilíbrio nos abrace dificultando o nosso caminhar.

Apresentamos, de uma maneira geral, tendências a mantermo-nos em expectativa esperando que a vida nos presenteie mansamente com tudo aquilo que almejamos, trazendo-nos consequentemente a tão procurada felicidade.

Traçamos os nossos objetivos e aguardamos com certa ansiedade que eles sejam alcançados.

Embevecidos pelas bagatelas do mundo, iludidos pelas fugazes alegrias da matéria, nem passa pela mais ínfima fibra de nosso ser que o que compulsivamente desejamos, nem sempre é aquilo de que realmente necessitamos.

Quando então nossos sonhos se desvanecem, o desencanto e a decepção vêm ao nosso encontro, como conseqüência, a tristeza passa a fazer-nos desagradável assédio.

Sabedores destas naturais nuances da vida, somos impelidos a assumir nossos revezes e devemos fazê-lo com serenidade para que possamos bem aquilatá-los e suplantá-los, conquistando gradativamente a harmonia e a paz no hoje e no amanhã das nossas vidas.

Conscientemente e, pouco a pouco, esforcemo-nos para eliminar da nossa alma as expectativas exacerbadas.

Não esperemos ansiosamente da vida aquilo que nem sempre ela poderá nos ofertar.

Não queiramos que a noite se antecipe ao dia, pois aquela somente surgirá quando este dos nossos olhos se despedir.

De nada nos adianta recolhermo-nos ao leito para nosso refazimento, repensando, inúmeras vezes, as mesmas resoluções que somente poderão ser devidamente tomadas no amanhecer de outro dia e no momento oportuno.

Esse querer ardente, de que as coisas aconteçam nos momentos que almejamos, quando tais fatos não ocorrem, enfraquecemo-nos, depauperamo-nos física e espiritualmente, pois ficamos à espera de algo que por vezes só poderá concretizar-se mais adiante, em outro instante, em outra oportunidade, sem que saibamos, mais propícia para nossa alma em ascensão.

À medida que formos aceitando com consciente resignação as provas que a vida nos impõe, e que, por vezes, de nossa parte nada podemos fazer para mudar, vamos adquirindo maior serenidade, vamos nos harmonizando, compreendendo melhor a nós e àqueles que cruzarão o nosso caminho e como conseqüência, uma paz profunda vai envolvendo o nosso coração, perfumando todo o nosso ser.

Portanto estejamos sempre preparados não só para as alegrias que desfrutaremos como também para os momentos mais difíceis que, fatalmente, iremos ter de passar para que possamos entendê-los, vivenciá-los, usufruí-los e, com isto crescermos espiritualmente, tornando-nos seres mais compreensivos, mais doces, mais amorosos, sentindo exalar constantemente das profundezas da nossa alma o suave perfume de Jesus!