Somos todos da mesma natureza do Criador


PERGUNTA DE FRANCISCA OTTA: Gostaria de saber se Deus, nosso Pai, criou todos nós à sua imagem e semelhança. Isto é verdade?

"Deus criou o homem à sua imagem e semelhança". Essa é uma frase de efeito da bíblia que significa que todos nós somos da mesma natureza do Criador. Nesse sentido, essa frase é correta e encontra respaldo nas obras de Kardec, que afirma justamente que o espírito (todos) é da mesma essência de Deus.

É errado, no entanto, acreditar que essa frase implique em que os homens são parecidos com Deus, ou que Deus tenha características humanas, alguns até achando que essa semelhança é física. O mais correto nesse caso, é interpretar a frase de maneira inversa: nós é que criamos os nossos deuses à nossa imagem e semelhança!

É curioso reparar, ao longo da história, como cada deus da mitologia pagã assumia as características dos povos que os cultuavam. Assim, os deuses de povos guerreiros eram ferozes e aguerridos, os de povos comerciantes eram ligados à comunicação e a outras formas de intercâmbio, os de povos agrários eram ligados à fertilidade da terra, e assim por diante. Cada povo tinha características que julgava mais importantes que as outras e eles repassavam essas características, em grau aumentado, para os próprios deuses, ou seja, criavam assim os seus deuses à sua própria imagem.

Conforme evoluíam as sociedades, também os deuses por elas cultuados evoluíam e tomavam características mais "civilizadas", de acordo com os novos conceitos de poder. E é graças a essa evolução que passamos a crer num Deus mais abstrato, menos antropomórfico, mais despojado das características tipicamente humanas que ainda insistimos em atribuir ao Criador.

É baseado nessa nossa característica de "criar Deus à nossa imagem" que ainda dizemos coisas como "a mão de Deus", "a ira de Deus", etc.

Tais expressões só podem ser admitidas como metáforas pois não se pode crer que Deus tenha um formato humano (e com isso mãos), ou que Ele apresente fraquezas humanas como a ira e a falta de misericórdia. Ao refinar a nossa forma de ver Deus estaremos cada vez mais próximos da realidade e também mais próximos do próprio Deus, já que estaremos, necessariamente, evoluindo nesse processo, e certamente passaremos cada vez mais a intuí-Lo como a causa primária de todas as coisas.

Lembremo-nos de que encontramos Deus em nossa experiência mais íntima.Quer sejamos crentes ou ateus - estamos sempre procurando transcender-nos rumo a metas cada vez mais novas e nunca completamente realizáveis. Nesse sentido, a experiência superficial é alienante. Somente num constante esforço de aprofundamento de tudo o que nos rodeia é que podemos alcançar a riqueza da vida. Desse modo, convém sempre nos dirigirmos a Deus alicerçados na humildade e simplicidade de coração, com o bom ânimo de atender primeiramente à Sua vontade e não à nossa.

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Autoria: 
Márcia R. Farbelow e Hugo Puertas de Araújo