A nenhum ser, Deus concede superioridade natural


PERGUNTA DE MARIA APARECIDA FERREIRA: O espiritismo kardecista está relacionado com a população branca? Acompanho a literatura espírita, nunca soube de uma manifestação de um espírito da cor negra, ou mesmo que tenha contado sobre sua condição de ser negro na Terra. (Sou negra e sei que não é nada fácil). Todas as "aparições" de espíritos nesta literatura são "anjinhos" e de "olhos azuis"...?

Ao contrário, o espiritismo, que provém dos espíritos, não manifesta nenhuma diferenciação entre as raças. Ele também desencoraja fortemente qualquer tipo de racismo, principalmente o baseado em características corporais (cor de pele).

Sabendo nós que os espíritos não têm cor, que os espíritos têm um corpo temporário para que assim possam atuar no planeta onde reencarnam, lógico será que esses mesmos espíritos possam nascer (reencarnar) neste ou naquele país, nesta ou naquela situação social, com esta ou aquela cor de pele, conforme as suas necessidades evolutivas.

Muito enganados andam aqueles que pensam que uma coloração de pele, ou corpo físico "perfeito" - dentro de padrões convencionais -, pode lhes conferir uma superioridade de qualquer tipo. No futuro, esses mesmos espíritos (racistas e orgulhosos), poderão reencarnar num outro povo qualquer de raça por exemplo negra ou em corpos imperfeitos pois todos os seres humanos fazem parte da grande família universal criada por Deus e submetidos à Lei da Reencarnação, também traduzida como Causa e Efeito.

Sabemos o quanto é duro para um espírito enfrentar dificuldades com preconceito,discriminação, humilhação por ser por exemplo, deficiente físico, gordo, feio, de grupos raciais diferentes da maioria (negro, amarelo, índio etc.), pobre. E entendemos sim, que as minorias raciais, sociais, etc., estão mais sujeitas ao sofrimento, à fome e sede de justiça, à uma maior necessidade de esperança.

Entretanto, todos nós, isto é, a maioria, necessitamos do mesmo consolo. Todos somos carentes e sofremos algum tipo de preconceito, sejamos brancos ou negros.

Pai Juca, Espírito benfeitor desta Casa de Paz e Amor, Pai João e Irmã Conceição, conhecidos por todos nós por sua belas e elucidativas lições, apresentam-se como negros.

Eles nos revelam que foi como negros que descobriram a luz, e vêm se manifestando assim, conforme a encarnação que os fêz crescer espiritualmente, e contam-nos suas experiências de negros e escravos, afiançando-nos que tal episódio serviu-lhes para consolidar sua fé, e hoje, trabalham em benefício desta Casa, amando sempre, trazendo mensagens evangélicas que iluminam todos nós!

À luz da Doutrina, aprendemos que nossa condição social, racial, etc. é transitória. O que importa são os valores espirituais que adquirimos. Qualquer um pode ser vítima de discriminação. Portanto, é nosso dever combatê-la, visando uma conduta cristã.

Quanto à literatura espírita , ou outra qualquer, em geral a grande maioria dos escritores são brancos, logo, os seus textos podem representar essa maioria étnica, não significando, no entanto, que façam apologia da própria raça ou que não haja negros, nem na literatura, nem no plano espiritual a nos contatar para nos passarem as suas experiências de vida. Também na literatura espírita não há "anjos de olhos azuis", mesmo porque a moral espírita nos pede apenas que sejamos homens de bem, enquanto não chegamos à estatura de anjo, que é bem diferente!!!

Por outro lado, não achamos que o caminho para resolvermos esse problema seja justamente ressaltá-lo ainda mais, reparando se existem ou não textos cujo autor é negro, ou que foi negro em uma de suas encarnações. Precisamos é justamente ignorar a condição racial de quem nos fala para nos concentrarmos unicamente no conteúdo que ele deseja nos passar.

Chegará o tempo em que todos, enfim, começarão a se portar mais em função de seu destino de cooperadores da vontade divina e não mais como brancos, negros, gordos, magros, feios ou bonitos, transitórios habitantes deste Planeta Terra.

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Autoria: 
Márcia R. Farbelow e Hugo Puertas de Araújo