A vida nos presídios e a atuação do Plano Maior


Um presídio é um lugar triste. Aqueles que vão parar nele, normalmente, tiveram uma vida muito difícil. A maioria das pessoas que estão presas são pobres, muito pobres, analfabetas ou semi-analfabetas.

Uma vez ouvi um senhor, pai de um preso, olhando admirado para a grandeza da Casa de Detenção que abriga hoje 7500 presos, dizer: "Nossa que bonito! Aqui meu filho vai ficar melhor do que lá em casa. Aqui parece um lugar muito bom. Tem luz, água e até televisão. Tem comida todo dia. Enquanto meu filho ficar aqui vai estar melhor do que lá em casa".

Confesso a vocês que é muito raro ouvir isto. Geralmente os familiares, principalmente as mães, sempre defendem seus filhos, alegando que as más companhias os levaram para o crime. Em parte é verdade. A falta de estrutura econômica, social, cultural e religiosa é que os encaminhou para a vida que levam hoje.

Todos almejam ser felizes. Os apelos aparecem nos meios de comunicação todos os dias. Compre este carro e será feliz. Este cartão de crédito não compra a sua felicidade, manda buscá-la. E assim, uma infinidade de objetos desnecessários começa a fazer parte do nosso dia. Os menos favorecidos também são levados pelas encantadoras propagandas e querem ser felizes. Só que não há expectativa viável de se realizar este sonho, a menos que se ingresse nas mais variadas possibilidades que o crime oferece.

No crime há respeito, regras e irmandade. Todos, ou a maioria, tiveram os mesmos problemas, portanto entendem os sofrimentos uns dos outros e sonham os mesmos sonhos. Há punições graves para quem infringe o código moral do presídio, como também há muita solidariedade.

Muitos têm pais, filhos, irmãos, tios, tias, primos, primas, mães que atuam nas diversas modalidades de crime. Às vezes são famílias inteiras engajadas na ordem criminal.

Como agir com alguém quando uma parte grande da família vive do crime? O presídio é sempre triste, mas lá também se reencontram amigos e familiares.

O presídio é triste, mas você se adapta a ele. Quando vê, incorporou seus valores. Acha graça quando um novato entra pensando que vai morrer. Não é fácil ingressar num lugar tão grande, onde lhe são feitas algumas poucas perguntas, sendo a última delas: Em caso de morte quem devo avisar?

A prisão é um lugar difícil para quem está preso e para quem trabalha. Ninguém é feliz vendo o outro sofrer. Os familiares levam roupas e comidas para os presos. Muitas vezes chegam a pernoitar quase uma semana para, sendo um dos primeiro a entrar, ter mais tempo de ficar com seu parente no dia de visita.

Velhos e jovens, todos vivem o mesmo infortúnio. Quando saírem de lá a vida será a mesma, sempre a mesma, ou pior. Verá filhos crescidos, parentes que desencarnaram, falta de dinheiro, doença nas mais graves proporções, amigos morrendo, sendo presos e tudo continua, até que a doença, a polícia, os levem para o lado de lá.

Preferiria contar histórias de pessoas muito más que se recuperaram num presídio e tornaram-se verdadeiros cidadãos a serviço da humanidade. Gostaria de poder compará-los a Sócrates e sua verdadeira resignação e iluminação, dando-nos lições que são estudadas até o dia de hoje. Gostaria de compará-los a todos os sábios que atingiram a iluminação quando estavam privados de sua liberdade, como Mahatma Gandhi, que aprendeu a doutrina da paz e não violência na prisão, Lokmanya Tilak, Iogue Aurobindo, ou Krishna que nasceu numa prisão.

Na verdade não existem pessoas más. Eles são nós mesmos com os mesmos sonhos e com as mesmas tristezas. Jesus nos alertou: somos todos irmãos, filhos de um mesmo Pai. Não podemos nos dividir em dois mundos ou vários mundos. Somos um só perante o Pai. Isto tem que começar a entrar dentro do nosso coração.

Não somos melhores porque não cometemos infrações penais. Possivelmente tivemos mais sorte, mais oportunidade, mais estrutura do que eles. Cabe, portanto, a nós, plantar a semente da solidariedade. Somos espíritas, temos muito conhecimentos que deve ser dividido com nossos irmãos menos favorecidos. Não os julgando, e sim os amparando.

O Plano Espiritual não abandona ninguém. Muitas vezes vi luzes dos mais variados matizes na sala em que trabalhava na Casa de Detenção. São luzes de fé e amor. Num presídio, também veremos os amigos espirituais trabalhando. Jesus sempre dizia: São os doentes que precisam de remédios, não os sãos. Portanto, os amigos do plano maior estão em toda parte, aguardando que nos libertemos das nossas amarras, para sermos verdadeiramente livres e construirmos um mundo de paz.

Autoria: 
Diana Ostam Romanini