O progresso individual cabe a cada um de nós


PERGUNTA DE VALTER (nome incompleto): Gostaria de saber qual o procedimento que devemos ter sobre atitudes de outras pessoas quanto a repreensão, pois sendo também capazes de erros podemos julgá-las?

O ato de julgar alguém ou algo é um instinto natural do ser humano. Se assim não fosse, não teríamos a capacidade de tomar decisões e de decidir entre o certo e o errado, nem teríamos uma personalidade, sendo mais parecidos com autômatos que tomam atitudes aleatórias, sem embasamento crítico.

Nós sempre comparamos as coisas com os nossos próprio valores e com isso decidimos se o que estamos vendo é certo ou errado, ao menos no nosso ponto-de-vista. Fazemos isso com tudo, desde o comportamento de outras pessoas, até o modo como elas se expressam e se vestem.

Se o julgamento não é errado, por outro lado a imposição dos nossos conceitos é. Devemos respeitar a opinião alheia e considerar que cada um tem direito de possuir uma forma própria de encarar o mundo, ou que eles podem estar certos enquanto estamos errados, ou vice-versa. Essa regra é válida enquanto o comportamento individual das pessoas não afeta prejudicialmente o de outras ou o bom envolvimento em sociedade.

É clássica a frase que diz: "os meus direitos terminam onde começam os do meu vizinho". Quando o comportamento de alguém torna-se prejudicial ou mesmo inconveniente, é preciso sim que ele seja chamado à atenção e, eventualmente, até mesmo punido.

É isso o que os nossos legisladores e tribunais de justiça fazem: criam leis que regulamentam o convívio em sociedade e estipulam punições para os que infringem tais leis. Os homens e suas instituições são acusados e pagam pelo que devem, mas agravantes e atenuantes são levados em consideração à luz de um critério superior.

Inicialmente, essas leis se baseiam no chamado "senso comum", ou seja, é fato que cada um tem uma opinião, mas existem coisa com as quais a maioria concorda. É essa maioria que faz com que o costume vire regra e a regra vire lei. E isso ocorre mesmo levando-se em conta que as pessoas que formam a sociedade são falíveis e cometem erros, inclusive perpetuando tais erros na sua legislação. No entanto, é preferível que a organização possua alguns erros ao não possuir organização alguma, quando então o progresso individual fica comprometido.

No nosso caso particular, vale o mesmo raciocínio: é claro que somos falíveis e vivemos cometendo erros, alguns insignificantes, outros mais drásticos, mas devemos sim chamar a atenção de outra pessoa quando a mesma cometer algum erro, mas mantendo em mente que poderemos, nós também, ser chamados à atenção. Com isso, devemos encontrar um meio de corrigir a pessoa sem ofendê-la, esperando que quando chegar a nossa vez de sermos corrigidos, os outros tenham a mesma preocupação para conosco. No entanto, isso é válido quando está evidente o erro que a outra pessoa está cometendo. Já quando o "erro" dela for apenas uma questão de diferença de opiniões, devemos pensar melhor e ver se não somos nós que estamos errados. Nesse caso vale mais o diálogo a fim de se chegar a um consenso do que assumirmos uma postura de "donos-da-verdade", que estamos muito longe de ser. Não sermos perfeitos não é motivo para deixarmos de aconselhar o próximo ou corrigí-lo quando isso se fizer necessário, pois muitas vezes temos mais experiência em determinado assunto a ponto de podermos expressar a nossa opinião com segurança. Também devemos ter a humildade de aceitar que outros mais experientes que nós (experiência tem pouco a ver com a idade física) possam nos apontar os nossos erros, quando então deveremos corrigí-los. Afinal, se fôssemos esperar a perfeição para julgamos os outros nunca haveriam tribunais e leis, sem os quais não poderia existir a sociedade, que é justamente a principal causa da evolução do homem.

Mas como sabemos que somos nós os certos e o outro o errado, ou vice-versa? Para isso Jesus nos deixou a regra máxima da justiça que é: "faça aos outros somente aquilo que gostaria que o outro vos fizesse". Quem estiver violando esse preceito certamente estará errado e será passível de reprimenda.

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Autoria: 
Márcia R. Farbelow e Hugo Puertas de Araújo