Consequências da cremação


Pergunta de Juraci da Silva Antonio: Gostaria de saber sobre cremação de cadáveres e o resultado para o espírito. Supondo que eu não autorizasse a cremação de meu corpo, porém viesse a desencarnar em consequência de um incêndio trágico, o que seria de meu espírito, uma vez que tenho verdadeiro pavor por fogo?

Emmanuel, um espírito que se comunica regularmente através do médium Francisco Cândido Xavier opina: "Na cremação, faz-se mister exercer a piedade com os cadáveres, procrastinando por mais horas o ato da destruição das vísceras materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o 'tónus vital', nas primeiras horas sequentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material."

É claro que nada disto é taxativo, pois se uns se desprendem rapidamente do corpo, outros poderão demorar-se bastante tempo ainda com sensações corporais, como acontece com alguns suicidas. A cremação será uma questão de opção, tendo em conta as vantagens e inconvenientes sociais, já que o cadáver nenhum valor tem como tal.

O Espiritismo preocupa-se, isso sim, em dar um roteiro de aprimoramento e felicidade para os locatários dos corpos físicos, isto é, para todos nós, espíritos imortais que nos encontramos em viagem de aprendizado no roteiro terrestre.

A morte é o aniquilamento das forças vitais do corpo pelo esgotamento dos órgãos. Estando o corpo privado do princípio da vida orgânica, a alma dele se desliga e entra no mundo dos Espíritos. No momento da morte, o espírito perde a consciência de si mesmo, de maneira que nunca é testemunha da morte do corpo, nem das angústias da agonia. Esse estado dura mais ou menos tempo, e só quando o fenômeno se completa é que o Espírito readquire pouco a pouco suas idéias. O corpo é destrutível, o espírito não.

As consequências da cremação do corpo para o espírito são nulas, sob o ponto de vista material. O que pode acarretar problemas, é quanto ao emocional do espírito, que já pode estar bem afetado devido ao trauma da morte, se ele não for, é claro, alguém evoluído.

É tudo uma questão sobre como a mente vai encarar a situação. Se ela já estiver bem desprendida, pode observar o fato sem se perturbar, mas se ainda houver apego ao corpo, ela pode acabar sentindo as dores de ser queimada, mesmo que isso seja apenas mental, já que o corpo estará morto. O mesmo se dá no caso de desencarne em incêndios.

Cada caso é um caso. Vai depender de como a pessoa esteja emocionalmente por ocasião da morte. O que fazer então?

O primeiro passo é cultivar um maior desapego ao que é material, procurando estudar os verdadeiros valores espirituais. Isso é garantia para qualquer tipo de morte, pois só o esclarecimento já é suficiente para encararmos de forma menos traumática um fato que é normal e natural, ou seja, a morte do corpo físico. Ela é necessária para podermos retornar ao nosso verdadeiro ambiente, que é o plano espiritual. Aqui só estamos de passagem.

Não há o que temer em voltar ao lar, e o momento da passagem pode ser tão tranquilo quanto o fizermos ser. Todos temos medo do desconhecido, mas isso não quer dizer que ele pode nos prejudicar.

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Autoria: 
Hugo Puertas de Araújo e Márcia Regina Farbelow