Cairbar Schutel: o pai da pobreza


Considerado em sua época, por muitos, como o espírita Número um do país, Cairbar de Souza Schutel foi uma personalidade digna e dinâmica, que tudo fez e ainda faz em benefício da divulgação do Espiritismo, não somente em solos brasileiros, mas também em outras nações.

Filho de Antero de Souza Schutel e de Rita Tavares Schutel, Cairbar de Souza Schutel nasceu a 22/09/1868, no município do Rio de Janeiro, então capital do Brasil. O seu desencarne, segundo narra Leopoldo Machado no livro Uma Grande Vida, ocorreu no dia 30 de janeiro de 1938, na cidade de Matão, interior paulista.

Aos 9 anos de idade estava órfão de pai e mãe, mas espírito altivo decidiu não ser dispendioso a ninguém. Optou em ser prático de farmácia, profissão que o acompanhou até o desencarne.

"Nunca me preocupo com a renda que meu trabalho possa produzir. Trabalho sempre preocupado com o dever. Desde que do trabalho possa advir o suficiente para mim, o resto é secundário", considerou certa vez, Cairbar Schutel.

Embora carioca de nascimento, atraído pelo interior, trocou a capital do Império respectivamente por Piracicaba, Araraquara e Matão, onde fundou uma farmácia, algo que impressionou e muito os moradores.

Na condição de um dos seus emancipadores, foi o primeiro prefeito de Matão. Em 1898, o humanitário e patriótico cidadão Cairbar de Souza Schutel, empregando todo o prestígio político que tinha e comprando com seus próprios recursos o prédio para a instalação da Câmara, conseguiu a criação do município de Matão.

Era Cairbar Schutel um pregador da Doutrina que se ouvia com prazer, aprendendo e recriando o espírito, discorre Leopoldo Machado. Não foi espírita de primeira hora, pois que nasceu de família católica, mas como toda alma iluminada, viveu seu momento de conversão. O médium Calixto Nunes de Oliveira foi quem o iniciou no mundo do Espiritismo, colocando-o em contato com a Doutrina codificada por Kardec. Como resultado de sua conversão, o Centro Espírita Amantes da Pobreza foi instalado no dia 15/07/1905, em Matão.

Fruto do dinamismo de Cairbar Schutel, em agosto de 1905, o jornal O Clarim nasceu com o objetivo de defender e propagar os valores conhecidos como liberdade, solidariedade, enfatizados pelo Espiritismo. Anos após, com a mesma finalidade, no dia 15 de fevereiro de 1925 veio à luz A Revista Internacional de Espiritismo.

Além de farmacêutico, exerceu as profissões de radialista, jornalista e escritor, condição na qual redigiu, por exemplo, "Espiritismo Para Crianças", livro que explica como a Doutrina deve ser ensinada aos petizes.

Maria Elvira da Silva Schutel, popularmente conhecida como Mariquinha, foi a esposa de Cairbar de Souza Schutel, um exemplo de dedicação e amor, que faleceu algum tempo depois do casamento, vitimada por lepra.

Aos 69 anos, depois de levar uma vida voltada exclusivamente ao bem, o missionário desencarnou. O seu enterro foi uma verdadeira apoteose, tal o enorme acompanhamento. Espíritas e não espíritas de muitas e longínquas localidades a ele acorreram. Foi o que no dia 12 de fevereiro de 1938 publicou O Clarim. Partia, então o Pai da Pobreza, deixando-nos inúmeras lições de trabalho a favor do bem.

Autoria: 
José Basílio