A festa do padroeiro


Nem bem o dia amanheceu, saí em direção à vila.

O sol despontava no horizonte prenunciando um dia quente de verão, dando-me a oportunidade de poder apreciar a beleza da natureza, banhada pela luz solar, fazendo ressaltar, com a sua luminosidade, os detalhes da paisagem.

Caminhava feliz por estar indo encontrar um grande amigo, com o qual iria traçar planos para realizar um empreendimento, que levaria à nossa pequena vila uma grande alegria, pois aproximava-se o dia de seu padroeiro e precisava ser comemorado.

Era necessário realizar uma festa a altura para que todo povoado pudesse, feliz e unido, reverenciar a memória do nosso protetor.

Ao pensar nesta possibilidade o meu coração pulsava, a minha mente, em turbilhão, ia traçando planos, objetivos, metas para levar ao meu amigo e assim colocarmos em execução os preparativos.

A caminhada não era longa, a minha casa ficava nos arredores da vila, pouco mais de três quilômetros. Este trajeto que já estava acostumado a realizar, não sei se pela ansiedade ou expectativa, hoje me parecia mais longo. Seguia procurando novas idéias, enumerando outros amigos para incluir no planejamento e execução dos festejos, pois se tratando de uma festa comunitária, era preciso que todos estivessem envolvidos.

Finalmente chego à vila e me dirijo ao ponto de encontro. Lá já estava o meu amigo ansioso para nos reunir e darmos inicio ao planejamento da festividade.

Logo relacionamos os nomes daqueles com quem iríamos convidar para participar conosco. Todos, sem exceção, não mediram esforços e se prontificaram a dar sua colaboração.

A festa prenunciava um sucesso, para alegria de toda a comunidade.

Tivemos o aval da igreja. O pároco, já idoso, parecia um menino quando relatamos a ele o planejamento da festa.
Com um largo sorriso no rosto e o coração palpitando, disse: filhos, está será a maior alegria da minha vida nestes 60 anos de sacerdócio e de trabalho nesta comunidade e este, o maior presente que poderei receber!

Pela primeira vez, vi aquele ancião chorar de alegria. Abraçou cada um de nós, com uma emoção tão grande que não tenho palavras para descrever, mas que foi suficiente para aumentar ainda mais o nosso entusiasmo para colocar em prática o nosso plano.

O grande dia chegou!A festa começou!

Quermesse com doces, comidas, música e muita alegria.

A meninada, extasiada, olhava aquele homem imenso equilibrando-se na perna de pau, não conseguindo compreender como isto era possível.

As senhoras iam de um lado para o outro para atender os pedidos de guloseimas daqueles que as queriam comprar. Todos davam a sua contribuição!

A festa foi um sucesso!

Hoje, passado tantos anos, ainda sinto no coração a alegria, como se estivesse neste instante, vivendo toda magia da festa do padroeiro da minha vila!

Ao reviver aqueles momentos, posso aquilatar o quanto eles serviram para alicerçar e fortalecer o meu espírito, dando-me condições para enfrentar o desafio de viver em uma cidade grande, sendo submetido a inúmeras provas sem cair diante das facilidades e tentações.

A lembrança daquela terra simples, daquele povo amigo, solidário e sobretudo fraterno, consolidou em meu coração a importância da amizade, o valor da fraternidade e a certeza de que cada um deve fazer sua parte e ajudar para que o próximo, também possa dar o melhor para a coletividade.

Esta é a grande lição que guardo daqueles momentos lá vividos : cada um traz dentro de seu coração o amor e o desejo de colaborar para o bem. Apenas estão aguardando a oportunidade! Compete a nós ajudá-los!

Graças a Deus.

Autoria: 
Um amigo - mensagem recebida por Adriano de Castro Filho, em 13/09/2005