Restauradores de Almas
Ao visitarmos uma galeria de arte, um antiquário, um museu, logicamente iremos nos deparar com inumeráveis peças que relatam, através das suas formas, cores e dos elementos que as compõem, suas histórias, delineando os caminhos que houveram percorrido ao longo dos anos, décadas, séculos...
Sem dúvida, o tempo acabará por alterar-lhes as cores, até mesmo a configuração, fazendo com que, lentamente, venham a perder suas características, seus encantos, tornando evidente aos olhos do observador atento, a necessidade imperiosa de restauração, que, por certo, as farão retornar às origens, resgatando-lhes a essência que os anos incumbiram-se de transformar.
Assim sendo, estas peças, ao serem submetidas a um experiente e consciencioso restaurador, aguardam que este inicie a sua delicada tarefa, reconstruindo as partes afetadas para, em seguida, pacientemente, remover a tinta que lhes cobria a superficie.
Por vezes, ao trabalhar uma ou outra peça, o profissional nota, surpreso, que ao retirar a primeira camada de tinta, afim de retocá-la, surge-lhe diante dos olhos, uma outra, de cor diferente, delatando-lhe que o objeto fora adulterado, perdendo, por conseqüência, o seu valor histórico, a sua primitiva e verdadeira identidade.
Constatado o fato, o bom profissional, utilizando-se de nova tinta, porém, na cor original da peça, cobre-lhe novamente a superfície desgastada, recuperando-lhe a beleza, o passado, restituindo-lhe o devido valor.
Caro leitor. Procurando, juntamente com você, fazer uma analogia com o que foi exposto, se bem refletirmos, concluiremos que os Centros Espíritas que, incondicionalmente, acolhem incontáveis corações, constituem-se em valorosos “Restauradores de Almas”, contribuindo para remover, paciente e amorosamente, as tintas grosseiras, sem brilho e sem beleza com que, pouco a pouco, o mundo da matéria fora, sutilmente, encobrindo as nossas almas, deslustrando-as, ocultando-lhes a doce essência.
Assim agindo, as casas espíritas, verdadeiros educandários do amor, gradualmente, vão recolorindo as nossas almas com as tintas luminescentes da fraternidade, resgatando-lhes a essência que o mundo tentara empanar. Das suas entranhas, então, irá emergir o aroma perfumoso da presença de Jesus acompanhando- nos os passos, incentivando-nos a distribuir as pétalas veludosas da caridade, sem distinção, hoje e amanhã, aqui e acolá, para este e aquele irmão, como Ele próprio faria se estivesse em nosso lugar.
Ave Cristo!














