Textos Espíritas


O homem que sonha na atualidade com outros céus e outras terras fora do Sistema Solar, amante das Ciências e da Tecnologia, quando enfrenta a própria realidade como ser imortal, perturba-se, apresentando a mente dominada por sombras e os sentimentos esmagados pelos receios e as incertezas cruéis. A morte ainda se lhe afigura como sendo a grande destruidora das suas ilusórias construções de prazer e alegria.

Edifica-se, pensando sempre no imediatismo dos resultados, esperando do corpo favores que a maquinaria orgânica não lhe pode proporcionar.

Fosse-lhe possível, e concederia à organização física a perenidade. (...)

Teimosa rebeldia assinala-lhe o comportamento, oponde-se à observação dos fenômenos profundos da vida, quais a comunicabilidade dos Espíritos, a reencarnação, a divina justiça.

Sem nos reportarmos ao espiritualismo ancestral, cujas páginas pujantes e ricas de beleza constituem herança libertadora que as antigas civilizações nos ofertaram, vale a pena recordar que, após quase vinte séculos de Cristianismo, a indiferença pelas questões espirituais surpreende, gerando sofrimento e desesperação.

Há 149 anos aproximadamente, Allan Kardec, incumbido por Jesus, interrogou os imortais e codificou a Doutrina Espírita, apoiada na razão e na experimentação científica do fato. (...)

A guerra hoje amarfanha a cultura, a ética, os direitos humanos e atenta contra a Natureza; a violência urbana ganha as ruas do mundo, aparvalhando; o desrespeito moral predomina nos mais diferentes redutos da civilização; enfermidades terríveis, consideradas sob controle, retornam virulentas e outras surgem ameaçadoras; a cultura parece ensandecida, enquanto o amor pede espaço para dulcificar os corações e a sabedoria se propõe libertar as consciências, sem lograr as oportunidades necessárias.

É para esse homem, todavia, sofrido e inquieto, que as Vozes dos Céus se dirigem, buscando alcançá-lo e estimulá-lo à grande luta contra as paixões perturbadoras que nele ainda predominam.

O cometimento logrará êxito, porque a fatalidade da vida é a plenitude do ser. Alcançá-la com rapidez ou postergá-la é opção de cada um que, não obstante, será feliz, oportunamente.

Espírito Joanna de Ângelis,
por Divaldo Pereira Franco
Salvador, 20 de fevereiro de 1991

Introdução do livro
Elucidações Espíritas
Divaldo Pereira Franco,
organizado por Fernando Hungria
SEJA - Sociedade Espírita
Joanna de Ângelis

Autoria: 
Colaboração: Fernando Peron