Missão cumprida


Ao caminharmos pelas estradas da vida, desatentos para com as dificuldades dos seres humanos que nos presenteiam com o privilégio do convívio e da amizade, tendo o nosso pensamento focado, tão somente, nos objetivos que, para nós visamos alcançar, acabamos por desperdiçar momentos preciosos que poderiam ter sido aproveitados para o doce exercício da fraternidade.

Indiferentes, não dando a caridosa atenção a estas criaturas, por vezes, entristecidas e desalentadas, deixamo-las sós, a mercê das suas limitações e desesperanças, quando mais necessitavam da paciência dos nossos ouvidos, do consciencioso aconselhamento das nossas palavras e do aconchego do nosso coração.

Desinteressados para com os problemas que as afligem, esquecidos que estamos dos sábios e amorosos ensinamentos de Jesus, deixamos de colocá-los em prática e, assim, egoisticamente agindo, sem nos darmos conta, vamos traçando os contornos das estradas íngremes e pedregosas que os nossos pés, no amanhã, haverão de trilhar.

Entretanto, o Pai de infinita misericórdia, haverá de nos proporcionar inúmeras outras oportunidades para que venhamos a corrigir os nossos deslizes para com o próximo, incentivando-nos a valorizar as jóias do convívio e da amizade, reconduzindo-nos ao Seu terno regaço.

Todavia, se, mesmo assim, não dermos ouvidos aos singelos apelos da fraternidade, permanecendo insensíveis para com as necessidades alheias, a dor, por certo, virá ao nosso encalço, com o único propósito de nos estimular a refletir, fazendo com que venha a emergir, do âmago da nossa alma, este sublime sentimento que, há tempos, estava por nós esquecido.

É claro que repudiaremos a sua desagradável presença, pois, a sua companhia, sem dúvida, nos trará incômodos e dissabores. Haveremos de acusá-la de injusta e cruel, tudo fazendo para expulsá-la para bem longe de nós.
Porém, distraídos, não percebemos que fomos nós mesmos que a atraímos, conduzindo-a pelas mãos frias do nosso personalismo e desamor e, ela, a dor, obediente e prestativa, atendera ao chamamento silencioso da nossa alma, carente de Jesus, vindo ao nosso encontro.

Perseverante e responsável, permanecerá ao nosso lado, incitando-nos a reflexão e a libertadora reparação das faltas que cometêramos para com os nossos irmãos de jornada que, como nós, transitam pelas calçadas do mundo, em busca da vã felicidade.

Convicta do seu nobre propósito, sua estada, ao nosso lado, dependerá, em grande parte, de nós mesmos e, tão logo, ela, a dor, tiver a certeza de haver alcançado o seu objetivo, qual seja, o de nos ter reconduzido as veredas do amor, de nós se despedirá, dizendo-nos um feliz adeus, deixando, para sempre, gravada em nossa alma a sua fraternal mensagem: “Missão cumprida”.

Autoria: 
Marcial Ferreira Jardim