Utilizando a música nas sessões mediúnicas


PERGUNTA DE MARCO A. FREITAS: Fiz o curso de médiuns numa Casa Espírita. No momento da aula prática, a fim que entrássemos em sintonia com os amigos espirituais, os professores faziam com que ouvíssemos uma música de fundo durante o exercício. Não aceitei isso e argumentei contra. Não adiantou. Observei que sem a música, muitos médiuns não apresentavam nenhum tipo de comunicação e mediunidade. Será certo ouvirmos "musiquinha" para este exercício? Gostaria de uma explicação: porque devemos ou porque não devemos, à luz da doutrina dos Espíritos, agir desse modo?

Muitos questionamentos têm sido aventados quanto à pertinência ou não do uso da música em reuniões espíritas, públicas ou mesmo mediúnicas. Alega-se, muito frequentemente, se não estaríamos incidindo em práticas ritualísticas comuns a outras correntes religiosas.

Preliminarmente, recorramos à questão 251, de "O Livro dos Espíritos", na qual se faz referência aos encantos da música celeste, praticada nas esferas espirituais elevadas, como sendo "tudo o que de mais belo e delicado pode a imaginação espiritual conceber".

Em "Obras Póstumas", Segunda Parte, temos o relato de uma jovem musicista, que, conduzida pelos protetores espirituais em estado sonambúlico, mergulha em intenso êxtase, ao sentir a magnífica harmonia celestial.

Ressalte-se, oportunamente, que o Espiritismo há de concorrer decisivamente para o processo de sublimação da música no planeta em que vivemos, como consequência de sua salutar influência na reforma moral dos homens.

Através da música, desde que escolhida com critério, podemos influenciar o estado de humor das pessoas e isso é muito importante em trabalhos que envolvam um estado emocional/mental/espiritual específico como é o caso dos trabalhos mediúnicos onde devemos estar relaxados, mas alertas ao mesmo tempo, para receber a comunicação. Há estudos científicos que procuram mostrar como a música pode influenciar no estado emocional das pessoas e qualquer um de nós já deve ter reparado no efeito que ela produz em nós, quer nos relaxando, quer nos deprimindo, quer nos animando, ou produzindo outros efeitos ainda.

Sabendo disso, não há problema algum em escolher-se uma música para criar um "clima" adequado ao trabalho mediúnico, mas tem que ser feita a ressalva, aquilo não pode ser encarado como um ritual pois tal pensamento poderia criar impecilhos para os trabalhos e prejudicar o entendimento das pessoas acerca dos fenômenos mediúnicos.

Podemos viver com o coração e a cabeça nas estrelas, mas nossos pés deverão estar firmemente plantados no solo do planeta. Todos nós, sem exceção, possuímos na intimidade a centelha divina, a força capaz de conter os impulsos negativos e fazer vibrar as emoções nobres que o Criador depositou em nós.

Fazendo pequenos esforços conquistaremos a verdadeira liberdade, a supremacia do espírito sobre o corpo. E só então entenderemos porque Jesus afirmou: "Vós sois deuses, podereis fazer o que eu faço, e muito mais."

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Autoria: 
Márcia R. Farbelow e Hugo Puertas de Araújo. Referências: Livros de Kardec