Os fundamentos da ética segundo o espiritismo


Kardec, no Livro Terceiro (leis morais) de "O Livro dos Espíritos", através do diálogo com o Espírito Superior, recebe a orientação sobre a existência da lei divina ou natural que é a Lei de Deus, a única e verdadeira a conduzir o homem à felicidade e que lhe indica o que ele deve ou não fazer

Que essa lei está escrita na consciência do homem, que muitas vezes a esquece e despreza, e que necessita ser lembrada, através de espíritos superiores que, em todos os tempos, encarnam com a missão, o objetivo de fazer progredir a humanidade.

Que o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo foi Jesus e que a Lei de Deus se acha inteiramente contida na máxima do amor ao próximo ensinada por Ele.

Isto posto, deduz-se que a moral universal ou natural se ancora num símbolo, numa entidade, num ideal de Supremo Amor, Bondade e Justiça, que é Deus, para o qual tendam as criaturas e seus costumes, guiados pela moral do Cristo que é a Lei de Deus.

Aí estão, portanto, os fundamentos da ética segundo a Doutrina Espírita.

Os manuais de filosofia definem a ética como a ciência da moral, conjunto de princípios morais para a formação de um caráter nobre para a criação de hábitos dos quais resulte uma maneira de ser e de agir íntegra e honrada e conforme às leis do dever. E a moral, como a parte que trata dos deveres e modos de proceder dos homens entre si, formando um corpo de preceitos e regras para dirigir as ações dos indivíduos segundo a justiça e a equidade natural.

No caso da Doutrina Espírita, preside sobre os homens e as instituições a moral cristã, que se baseia nos preceitos dados por Jesus e contidos no Seu Evangelho.

Temos, então, como Kant também explicava, os princípios éticos superiores ou imperativos, absolutamente válidos a priori, isto é, a lei divina ou natural expressa na moral do Cristo que é a Lei de Deus, como paradigma, modelo, padrão supremo.

E temos a moral relativa, comportamentos éticos da humanidade que variam conforme as diferentes formas de evolução social, com costumes entre seres ajustados a cada época e a cada tipo de sociedade, mas representando etapas comportamentais impulsionadas ascendentemente na direção do paradigma supremo que deve permear, imprimir, iluminar, como motor íntimo, todas as ações humanas a caminho da perfectibilidade.

Quais as repercussões da ética paradigmática no seio da Doutrina Espírita, no movimento e na comunidade espíritas?

Nas origens, há 2000 anos atrás, Jesus chamou a futura recristianização da humanidade de O Consolador, promessa sua, denominação profética já designando a priori a natureza da bênção a vir: consolação, ato de alívio, lenitivo, de suavizar, de aliviar a aflição, os padecimentos, a pena, a dor, "lembrando de tudo e ensinando todas as coisas".

Quase 1900 anos depois, no tempo e hora apropriados, Kardec, ao codificar o Consolador prometido, o Espiritismo, cunha, entre seus outros motos fundamentais, o "fora da caridade não há salvação". E esta caridade, que é a operação do Amor nas suas infinitas faces, espargiu-se em ações consoladoras, o lenitivo dos passes e da cura, se abrigada na lei de justiça e misericórdia de Deus, as orientações espirituais, o Evangelho no Lar, onde se vibra por todos os carentes e necessitados, as desobsessões lenificando encarnados e desencarnados, as instituições amparando a infância, a velhice, os enfermos, os deserdados pela vida, as gestantes carentes, os esfomeados, sustentando a todos com as luzes esclarecedoras da Doutrina Redentora e abrindo horizontes infinitos para a alma humana.

Exemplos edificantes da prática incessante do amor ao próximo, paradigma máximo para a redenção de todo o ser humano.

Autoria: 
Raphael Rios