Ler e compreender
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Quem não raciocina com serenidade o que lê, não aprende, não assimila, não compreende, não se esclarece, não se ilumina.
Quem somente lê e não raciocina com reflexão, poderá até mesmo decorar páginas e páginas de dissertações belíssimas, declamá-las com sentimento e interpretação, contudo não soube penetrar na essência das idéias, na luz dos ensinamentos, na necessidade premente de sua renovação interior e melhoria moral.
Quem lê Doutrina Espírita com os embaçados olhos de desatenção, frieza e indiferença, não enxergará a essência da verdade contida no conjunto de palavras, frases e periodos. O Mestre Allan Kardec assim descreve a fé espírita: “A fé raciocinada, que se apóia nos fatos e na lógica, não deixa nenhuma obscuridade: crê-se, porque se tem a certeza e só se está certo quando se compreendeu”. (O Evangelho Segundo O Espiritismo, Allan Kardec, capítulo XIX, item 7: “A fé religiosa. Condição da fé inabalável”, LAKE - Livraria Espírita Alvorada Editora).
A finalidade da leitura concentrada de bom livro, bom texto, ótima lição, belo capítulo, expressiva mensagem é a assimilação consciente de conhecimentos bons, úteis e elevados. Somente assimila a Verdade quem estuda aplicando atenção permanente, observação curiosa e reflexão serena. Absorvendo a essência da Verdade através das idéias luminosas, o espírito adquire a claridade da compreensão da verdade espiritual e conseqüentemente passará a conviver na faixa psíquica poderosa da certeza.
O espírita que não alcançou a própria compreensão sobre determinados pontos fundamentais da Doutrina Espírita fica propenso a manter determinado grau de fé cega, embora esteja envolvido por tanta luz espiritual de outros companheiros mais estudiosos. Tenhamos a claridade da certeza: ninguém conseguirá caminhar somente com a luz dos outros, pois é indispensável construir o próprio entendimento da Verdade e aprender brilhar a própria luz interior. Com os olhos materiais, enxergamos fenômenos da vida material, com os da razão, visualizamos fenômenos da alma. Não basta ver espíritos através de fenômenos medianímicos: imprescindível compreender a essência dos fenômenos da vida e extrair o espírito da letra. A fé espírita nasce, desenvolve e brilha com a abençoada luz da compreensão: “A fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver: é necessário, sobretudo, compreender”. (O Evangelho Segundo O Espiritismo, Allan Kardec, capítulo XIX, item 7 - “A fé religiosa. Condição da fé inabalável”, LAKE - Livraria Allan Kardec Editora).
Walter Barcelos
Livro: Anuário Espírita 2006. Vários Autores
IDE - Instituto de Difusão Espírita














