Sonhos, previsões e alteração do nosso futuro


Podemos prever o futuro? Como podemos visualizar algo que ainda não aconteceu? Em caso de visões do futuro, é possível interferir nos fatos previstos? E os sonhos? São indícios de algo que poderá ocorrer?

Essas são algumas perguntas que costumamos fazer quando abordamos este intrigante assunto.

Duas leitoras de nosso informativo questionam a possibilidade de prevermos nosso futuro.

Nossa reporter Márcia, com o auxílio de seus colaboradores e baseada nos esclarecimentos de Kardec, procura informar nossos leitores a respeito desse tema.

Acreditamos, na verdade, que o futuro possa ser comparado à seguinte situação: imagine que uma pessoa se encontre no alto de uma colina. De cima, pode vislumbrar a estrada repleta de curvas que leva os motoristas ao cume da montanha. Pode, também ver uma pequena ponte quebrada em determinada curva e um motorista em alta velocidade a se aproximar do local. De onde se encontra, "prevê o futuro" do infeliz motorista que pela velocidade e não imaginando que a ponte esteja quebrada, tem grandes probabilidades de despencar montanha abaixo...

Entretanto, nada impede que o motorista, por algum motivo, reduza a velocidade do veículo e consiga parar a tempo de evitar o grave acidente.

Poderíamos dizer, desta forma, que o futuro é incerto e que, acima de tudo, existe o livre-arbítrio que rege a vida do indivíduo.

Pergunta de Valesca Tuffengdjian: Anos atrás, sonhei que iria perder meu pai no dia 13 de setembro. Ele vinha se queixando de dor na hérnia e, ao consultar um médico, este marcou a data da cirurgia para 12 de setembro. Fiquei muito preocupada, mas não disse nada a ninguém. A cirurgia teve êxito, e no dia seguinte, 13 de setembro meu pai obteve alta. Fiquei feliz e imaginei que tudo não passava de um sonho. Só que, infelizmente, no dia 14 de setembro, ele teve derrame. Pergunto: poderia ter mudado o que aconteceu?

O sonho é composto por partes reais, que são devidas ao desprendimento do espírito em relação ao corpo físico, e também por partes fantasiosas, devidas à própria ação do cérebro físico ou por ser esse um instrumento limitado, face à maior amplitude do mundo espiritual.

Tudo isso dificulta e muito a análise séria dos sonhos.

No entanto, é sabido que em certas ocasiões, é possível termos vislumbres de acontecimentos futuros que depois vêm de fato a se realizar, às vezes do mesmo jeito como foram sonhados, outras vezes com algumas modificações.

Não é possível, no entanto, sabermos se o conhecimento prévio desses fatos faz com que possamos mudá-los. E se o mudarmos não poderemos saber se os resultados serão melhores ou piores. São enigmas relacionados à memória e ao tempo, e, aos quais alguns autores sérios, como Hermínio C. Miranda, já se dedicaram.

Uma coisa, no entanto, é certa: tudo o que acontece tem sua razão de ser. Nada é por acaso. O que nos cabe fazer é procurar tirar as melhores lições possíveis.

Não adianta lastimar pelo que já aconteceu. O importante é aprender com o fato e procurar obter um futuro melhor.

O passado já se foi e dele não temos controle. O futuro ainda está para acontecer. O presente, no entanto, é uma dádiva com a qual podemos construir um futuro melhor. Remoer o passado é apenas perder um tempo precioso na construção do futuro. Livre-se do peso das lamentações!

Encare o fato ocorrido como uma experiência que precisava ser vivida, tanto por seu pai, quanto por todos os que estávam próximos e continue a viver com o firme propósito de aprender e de amar.

Pergunta de Aniete de Barros Fagundes: É possível prever fatos futuros? Em caso afirmativo, podemos revelá-los às pessoas que estarão envolvidas? Isso mudaria seus destinos?

Allan Kardec assim define o futuro: "Em princípio o conhecimento do futuro é velado ao homem por uma lei muito sábia da Providência. Se é revelado algumas vezes, é apenas em circunstâncias excepcionais e, porque esse conhecimento pode servir ao cumprimento de certos acontecimentos. Sob esse aspecto os bons Espíritos são muito circunspectos e nunca se prestam a satisfazer a curiosidade. Aliás, eles próprios nem sempre o conhecem: só Deus o conhece. Os Espíritos maus ou levianos anunciam tudo o que se quer. Dessa forma é preciso desconfiar daqueles que fazem predições, pois é quase sempre para se divertir às custas da credulidade.

Querer se servir do espiritismo como meio de adivinhação seria falseá-lo em seu princípio e desviá-lo da sua finalidade; seria, ainda por cima, expor-se voluntariamente a ser mistificado".

Para ajudar nosso raciocínio sobre este intrigante tema, vamos propor uma situação hipotética:

Uma pessoa, com a capacidade de prever o futuro, descobre que vai ser atropelada, ao sair de determinado local a tal hora. Então, ela se atrasa um pouco e evita de ser atropelada. Nesse caso, o seu livre-arbítrio impediu que o futuro previsto virasse realidade.

Essa situação nos mostra que há um certo problema de incompatibilidade entre o livre-arbítrio e a capacidade de previsão do futuro. Se ela evitou de ser atropelada, o futuro previsto é falso!

O futuro, provavelmente, só existe como um conjunto de probabilidades, e nesse caso, é possível prevê-lo. Mas ninguém garante que o previsto ocorrerá de verdade já que possuímos o nosso livre-arbítrio para modificá-lo.

O conhecimento sobre uma dada previsão do futuro pode fazer com que ele ocorra ou não e isso nos mostra que o futuro é incerto. A pré-ciência de algo vai, certamente, alterar a sua probabilidade de ocorrência, ora aumentando-a, ora diminuindo-a, mas as consequências disso são também imprevisíveis.

Hermínio C. Miranda, em "A Memória e o Tempo", estuda esse assunto e até nos traz exemplos sobre previsões que ocorreram, mas em suma, sempre resta a dúvida: ocorreu porque estava para ocorrer e eu apenas previ o fato, ou ocorreu porque, ao prever o fato eu me predispus para que ele ocorresse?

Acreditamos que não dá para responder se podemos prever ou não o futuro. Devemos, portanto, ter muito cuidado ao "avisarmos" alguém sobre um provável futuro, pois isso pode induzir a pessoa a tomar decisões que de outra forma não tomaria.

Autoria: 
Hugo Puertas de Araújo e Márcia R. Farbelow