Duas pomadas


A cada momento, as criaturas humanas são visitadas pelas mais diversas ocorrências que a vida, incondicionalmente, lhes impõe, impelindo-as a observá-las e vivenciá-las, de acordo como grau educacional, cultural e religioso que possuam.

Se estiverem distanciadas dos ensinamentos do Cristo Jesus, haverão de avaliar, cada uma delas, de forma tendenciosa, denunciando o egoísmo que, teimosamente, ainda lhes faz companhia, impermeabilizando os seus corações ao doce apelo da fraternidade, enregelando as suas almas, ainda prisioneiras do instinto que enceguece seus olhos, cerra seus ouvidos, emudece suas vozes, paralisa seus membros, insensibilizando os seus corações às dores alheias.

Estas criaturas, entontecidas pelos clamores da matéria, extasiadas pelas suas inumeráveis cores e fulgurações, seduzidas pelos seus enganosos chamamentos, deixam-se iludir, crentes de poderem encontrar, neste mundo de provas e expiações, a tão decantada felicidade.

Inclemente, o tempo haverá de passar, e um dia, decepcionadas, constatarão que...

Os seus olhos já não possuem o mesmo brilho de outrora;

Os seus ouvidos já não conseguem distinguir os sons como antigamente;

As suas palavras já não demonstram o mesmo vigor do passado;

As suas mãos carecem da agilidade dos tempos idos;

As suas pernas locomovem-se com incontestável dificuldade;

A neve do tempo embranqueceu-lhes os cabelos.

Assim, seus corpos, fatigados, render-se-ão ao peso dos anos, delatando que a velhice, inapelavelmente, viera-lhes ao encontro e que apesar de terem, de todas as formas, tentado, não conseguiram encontrar a tal felicidade, ignorando que somente haverão de desfrutá-la quando o Sublime Peregrino do Amor se fizer, definitivamente, presente em suas almas, orientando-as quanto aos caminhos que ainda haverão de percorrer.

Para estes seres humanos que assim se encontram, atormentados pelas chagas do egoísmo que, ao longo das encarnações, não lhes dá tréguas, o Pai de infinita bondade, oferece-lhes “duas pomadas” que, por si sós, haverão de curar essa enfermidade persistente e cruel que lhes dificulta os passos, retardando-lhes a redenção.

A primeira delas é composta pelo “trabalho e pelo suor”. A segunda, pelas “lágrimas e pela dor”. A escolha é de cada um!

Ave Cristo!

Autoria: 
Marcial Ferreira Jardim