A caridade deve vir somada ao entendimento


PERGUNTA DE NEIDE GRIMALDI DE SOUZA: Em conversa com uma amiga, ela me contou que há alguns anos, quando seu filho nasceu, convidou uma amiga para ser madrinha de batismo de seu filho na religião católica. A amiga recusou-se, dizendo que não poderia batizá-lo porque ela era espírita. Nós, espíritas, não podemos batizar uma criança na religião católica?

O batismo é um dogma católico proveniente do judaísmo. É um ritual, apenas. Jesus foi batizado porque João, o Batista, batizava as pessoas no rio Jordão para assinalar uma nova ordem que estava por vir, e que ele anunciava.

Jesus foi até ele e se submeteu ao batismo para que se cumprisse o que estava escrito sobre o reconhecimento de Jesus por João, como de fato se deu. A partir dali, João se recolheu e Jesus iniciou sua tarefa. Mas Jesus não batizou ninguém. Naquele ato de humildade colocaria o homem em condições de divulgar a Boa Nova.

Não há impedimento algum, por parte do espiritismo, para um espírita participar dos ritos católicos ou de qualquer outra religião. O que pode acontecer é que o próprio representante dessa outra religião não veja com bons olhos o fato de alguém que não professe a sua fé estar ligado a algo de extrema importância dentro da mesma. Muitos espíritas hoje em dia não são batizados dentro do catolicismo ou de outra religião e isso, às vezes, dificulta a sua aceitação junto aos ritos delas.

Ficamos sabendo de um caso em que um casal de espíritas foi convidado para serem padrinhos de casamento de um casal amigo deles dentro da religião católica. Os espíritas concordaram e participaram do casamento como padrinhos, mas o padre exigiu que eles fizessem antes uma espécie de curso sobre o casamento católico e o papel que íam desempenhar.

Durante o curso o padre às vezes fazia comentários contrários ao espiritismo, mas mesmo assim eles terminaram o curso e participaram da cerimônia.

Logo, pode-se ver que se as outras religiões não se opuserem, não há motivo algum para um espírita não participar de seus ritos como um convidado. O espiritismo não possui rituais, mas também não proíbe que os assistamos e mesmo tomemos parte neles se isso for importante para algum ente querido. Quantos espíritas não se casam dentro da religião católica porque isso é importante para parentes ou até mesmo para o cônjuge que não é espírita?

Devemos ter bem claro que não há necessidade de ritos para agradarmos ou para nos comunicarmos com Deus, mas temos que compreender que esses mesmos ritos podem ser importantes para outras pessoas e é dever nosso respeitar essa posição deles, inclusive tomando parte nos mesmos para agradá-los ou não magoá-los. É a caridade somada ao entendimento.

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Autoria: 
Hugo Puertas de Araújo e Márcia R. Farbelow