Nem sempre as coisas são como parecem ser


PERGUNTA DE MARISA VALÉRIA: Na Grã-Bretanha, recentemente, uma mulher conseguiu o direito de morrer pela eutanásia. A Juíza encerrou sua sentença dizendo: "A decisão permitirá que ela encerre sua vida de forma digna" (ela sentia dores muito fortes e era tetraplégica). Pergunto, nem em um caso como este as religiões se sensibilizam?

Pelo contrário, é justamente por se sensibilizarem que a maioria das religiões assumem uma postura contrária à eutanásia: para as religiões não espíritas por exemplo, é preferível sofrer aqui e morrer normalmente do que através do suicídio que é um pecado pavoroso que proporcionará sofrimento eterno. Ou seja, antes sofrer alguns anos aqui do que por toda a eternidade após a morte. Isso é sinal de compadecimento.

Os espíritas não vêem isso sob o ponto-de-vista do pecado, que não existe no espiritismo, mas sim observando o que acontece com um espírito suicida. Sabemos disso através dos relatos desses próprios espíritos que nos dizem que se soubessem das consequências desse ato impensado, teriam suportado as dores da carne ao invés de ter que suportar as do espírito.

Também sabemos que tal situação não é eterna, como pensam as outras religiões, mas mesmo assim, continua valendo a idéia de evitar um sofrimento maior às custas de um sofrimento menor. Essa é, aliás, a própria idéia motivadora da eutanásia: prefere-se abreviar os dias de um doente terminal para evitar-lhe o sofrimento em que se encontra.

O problema é que o tiro sai pela culatra, já que o espírito precisa purgar o seu perispírito para poder sentir-se bem e um dos mecanismos próprios para isso é através das doenças, que destroem o corpo mas aliviam os desajustes perispirituais.

Ora, se matarmos o paciente antes do tempo, o seu perispírito levará consigo as mazelas das quais tentava se curar, com o agravante de ter inflingido mais um ataque à sua constituição, ou seja, a morte física.

Além disso, enquanto o espírito permanece encarnado, ele está relativamente alheio às influências negativas de outros espíritos que por acaso o estejam perseguindo. Saindo do corpo ele estará à disposição dessas entidades e, se ele não possuir mérito próprio, não terá como se defender delas.

A vida representa a nossa oportunidade de crescimento espiritual e por isso, cada segundo é precioso. Devemos nos empenhar em aprender mesmo quando isso for muito difícil ou doloroso.

Em suma, não se trata de falta de comiseração para com os sofredores impondo-lhes um fim de vida difícil em função de se evitar um pecado. Também não é o caso de o suicida sofrer após a morte por castigo ao seu ato. O caso é que as dores físicas são o resultado de um processo de limpeza perispiritual sem a qual o espírito permanece em situação difícil no pós-morte. Aqui o corpo atua como uma esponja que suga para si as disfunções perispirituais deixando o perispírito são, mas às custas de um padecimento físico que, visto por nós, parece um mal do qual gostaríamos de aliviar, mas que na verdade é algo bom que está atuando para sanar problemas no seu corpo perispiritual.

Nem sempre as coisas são o que parecem ser.

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Autoria: 
Hugo Puertas de Araújo e Márcia R. Farbelow