Violência: causas, consequências e reflexões


PERGUNTA DE MIRTES JANE: O planeta Terra está passando por um processo de seleção? Quanta tragédia, quanta violência, quantas mortes injustas! Noto que há muita marginalidade em pessoas jovens de 20 a 25 anos. Por que? Sempre será assim? Onde estão os anjos?

Bem, vamos por partes. O problema da violência é sim bastante grave e preocupante. Ela tem se tornado a grande intérprete desses tempos planetários, já que sua proposta é de fácil aceitação pela quase maioria dos humanos nos estágios em que se acham no mundo. Porém, não podemos deixar de considerar que antigamente a população era muito menor e por isso a incidência de crimes também era menor. Por outro lado, a mídia não se ocupava tanto em divulgar esse tipo de notícia de modo que o que acontecia ficava restrito ao seu próprio âmbito.

Com tudo isso podemos concluir que o nosso planeta vem melhorando em termos de convivência humana, e não piorando como muitos pensam. Basta observar os grandes avanços sociais que a humanidade vêm acumulando. Há pouco mais de cem anos ainda tínhamos escravos trabalhando em condições sub-humanas, há questão de décadas, a mulher ainda era tratada como um ser inferior sem direito sequer de trabalhar para o próprio sustento. A violência, apesar de menor em número, era maior em termos proporcionais e os desmandos políticos aconteciam a céu aberto, ao contrário de hoje, quando devem ser acobertados por medo de sanções legais. Ainda estamos muito longe da situação ideal mas estamos caminhando para ela e não na direção contrária.

Hoje os negros e as mulheres já podem contar com o seu espaço ao sol e, mesmo que isso não aconteça na prática, ao menos eles têm as garantias legais, o que nunca aconteceu antes na história da humanidade. Isso mostra que estamos mudando e mudando para melhor.

Dia virá em que prática e teoria serão a mesma coisa, não só para negros e mulheres, mas para todos em geral.

Ainda sobre o problema da violência, a faixa mais atingida é a dos jovens por que eles é que estão no ápice da força física e se não tiverem uma boa orientação, simplesmente utilizarão essa energia para fins menos nobres. É tudo um problema de educação: os pais não se preocupam em educar os filhos, passando tal responsabilidade para professores, amigos ou, pior, para a televisão.

A televisão, por sua vez, não tem preocupação educativa, querendo apenas vender o seu produto. E com isso os jovens crescem sem freios e sem orientação. Não é difícil de se imaginar o que virá depois.

Nós, espíritas, temos fundadas razões para afirmar, convictos, que a propaganda da violência como é feita nos veículos de propagação, reforça o que o espírito reencarnado traz de vidas anteriores, vitimando-o mais ainda pela intoxicação da enfermidade que ele porta em suas estruturas psicológicas mais sutis: a violência!

O Espírito é herdeiro de si mesmo, ele reflete o seu passado, no presente.

Assim, os pais devem se estruturar para educarem seus filhos e não simplesmente passarem o encargo para o outro ou para terceiros. Tanto o Pai como a Mãe devem ser o mestre para seus filhos auxiliando a esculpir as mais belas lições de discernimento e sabedoria. Os pais devem sinalizar a estrada com os próprios exemplos.

Quanto a estarmos em transição, isso é possível, mas não devemos esperar nenhuma alteração drástica nos quadros populacionais. Os processos de transmigração entre mundos são muito mais suaves do que imaginamos. É possível que isso já esteja acontecendo durante séculos e que possa continuar por muito tempo ainda. A natureza não dá saltos. Tudo acontece a seu próprio tempo. Um belo dia vamos acordar e sem termos percebido a humanidade já terá acumulado tantos progressos sociais que não poderemos acreditar que um dia já fomos como somos hoje. Mas esse é um processo lento, nada parecido com uma transição abrupta. Por outro lado, isso nos permite dizer que tudo está correndo como deveria. Se hoje a situação é ruim, ontem ela foi pior e amanhã será melhor. Basta olhar a história para conferirmos o que já alcançamos e vermos as tendências do que temos pela frente.

Finalmente, quanto aos anjos, devemos nós sermos os anjos, contribuindo para o progresso da humanidade de todas as formas possíveis, quer seja educando melhor nossos filhos dentro de um molde cristão, quer seja praticando a caridade, material e espiritual, auxiliando o nosso irmão a ter uma melhor condição de vida. As sociedades são compostas por pessoas. Logo, pessoas melhores, sociedades melhores. É simples, não requer milagres e nem intervenções dos governantes.

Quando todos nós nos conscientizar-mos do nosso papel e o cumprirmos, então teremos sociedades melhores. Não teremos que esperar que transições evolutivas ocorram no planeta. Na verdade é a evolução das pessoas que promove a evolução do todo, não o contrário. Se pudermos ajudar uma pessoa, que por sua vez ajude outra, estaremos no caminho certo rumo a um mundo melhor.

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Autoria: 
Hugo Puertas de Araújo e Márcia R. Farbelow