A doação de órgãos e suas consequências


Eliana e Herbert Lopes: Gostaríamos de saber o que poderíamos sentir no perispírito, emoções etc., após doarmos nossos órgãos em benefício de outras pessoas. Somos doadores, porém não sabemos quais as consequências disso para o espírito, após o desencarne, e estamos preocupados.

Nosso irmão Irmão Karl, comenta durante os seus trabalhos na Casa, que quanto mais um espírito estiver liberto de sentimentos inferiores e egoístas, mais a doação de órgãos será dadivosa, pois sentirá imensa alegria em poder auxiliar os que estão necessitados.

Por outro lado, um espírito que ainda esteja muito ligado à matéria e ao corpo físico e cujo órgão lhe é retirado sem permissão, poderá sofrer dores atrozes, revoltar-se e até mesmo vir a reclamar o que lhe pertence, incidindo tal fato, na probabilidade de se tornar obsessor daqueles que desfrutam dos órgãos recebidos sem seu consentimento.

Quanto ao fato de sentirmos ou não dor após o desencarne, poderíamos dar como exemplo algumas mensagens espirituais de jovens doadores que se referem à sensação de desconforto no momento em que os órgãos lhes são retirados para transplante, mas dizem que são compensados pelos frutos da caridade que esse ato representa.

Pelo exposto, podemos deduzir que a doação deva produzir alguma repercussão perispiritual, cuja intensidade dependerá da condição evolutiva de cada um. Mas o retorno do ato da doação será benéfico para o doador e receptor.

E como sentimos dor, se não temos mais o corpo físico? Poderíamos citar como exemplo a dor "fantasma" que as pessoas sentem quando tem algum membro amputado. Por muito tempo ainda têm a impressão de sentirem o braço, perna ou outro membro que não mais possuem.

Pode-se, pois, crer que há alguma analogia com os sofrimentos do espírito depois da morte, sendo portanto o perispírito o agente das sensações externas.

No corpo, essas sensações são localizadas pelos órgãos que lhes servem de canais. Destruindo o corpo, essas sensações tornam-se generalizadas e o espírito não diz que sofre mais da cabeça do que dos pés. Liberto do corpo, o espírito pode sofrer, mas esse sofrimento não é corporal. A dor ou a sensação estranha que o períspírito sente não é propriamente física, mas um vago sentimento íntimo que o próprio espírito nem sempre entende, porque a dor não está localizada e não é produzida por agentes externos.

Resumindo: nada nos obriga a doar os nossos órgãos, mas se o fizermos, que seja com muita consciência, convicção, desprendimento e amor ao próximo. Tenhamos a certeza de que a gratidão e o reconhecimento do receptor com o ganho de mais uma oportunidade de vida, atuará como verdadeiro bálsamo, assumindo propriedades medicamentosas para nossa alma.

A doação de órgãos, é uma caridade que não nos custa nada. Doemos aquilo que não mais nos é útil para aqueles cuja vida depende disso!

Quanto a problemas ou reações emocionais, é claro que sempre devemos esperar por elas, pois, ainda hoje sentimos certa contrariedade ao vermos alguém pegar ou se utilizar do que é nosso. Mas isso se trata de um egoísmo que temos que procurar vencer.

Se você tem alguma dúvida sobre a Doutrina, envie sua pergunta para nossa repórter Márcia através do e-mail divulgacao@neapa.org.br.

Autoria: 
Material de Estudo: Revista Cristã do Espiritismo / referências: Evolução em Dois Mundos, André Luiz - Amor e Saudade, André Luiz - O Consolador, Emmanuel. Colaboração: Marcial Jardim/ resumo: Márcia R. Farbelow