Ensinamentos do Irmão Karl


Palavras - Não é infrequente ocorrer entre duas pessoas, amigas, parentes, vizinhas, colegas, que vêm convivendo há longos anos com afeto e respeito, um evento inesperado e imprevisto em que uma delas, num momento invigilante, venha a dirigir à outra palavras consideradas ofensivas. Nem tampouco é fora do comum que o agravo seja para o ofendido inaceitável, fazendo-o, pelo choque, mudar radicalmente de atitude e mergulhar em mágoa sem remédio. Uma única ofensa terá sido suficiente para enterrar um passado de longos anos de convivência fraterna, que ficou sem futuro. Gera-se um comportamento destrutivo que não resiste à mais elementar regra de caridade: orienta-nos o Irmão Karl de que se um dia acontecer que o ofensor venha a pedir desculpas ao ofendido e se este vier a verbalizar um perdão em palavras que não forem amparadas por um perdão interior autêntico que pulverize a mágoa, o próprio ofensor sentirá o artifício das palavras e o ofendido a ausência de paz em seu coração. O relacionamento nunca poderá ser o mesmo. É preciso ter a grandeza do perdão irrestrito que jorre da única fonte verdadeira,a fonte do amor, do amor ao próximo, que é nosso irmão em Deus Criador, Pai de todos nós.

A palavra escrita é a embalagem, o continente, o veículo gráfico de idéias, pensamentos e sentimentos, que representam o seu conteúdo. O sentido do seu conteúdo é normalmente claro e, na dúvida, o dicionário esclarece. A palavra falada, entretanto, explica o Irmão Karl, especialmente quando proferida de uma pessoa a outra não tem a mudez da escrita e, ademais, tem a presença física do outro. Sua verbalização é expressa em som, entonação, timbre e altura que podem alterar profundamente o seu sentido etimológico. Isso porque a verbalização vem fortemente impregnada das emoções e sentimentos do emissor em relação ao receptor. Pode até expressar o sentido oposto, como nos exemplificou o Irmão Karl. Uma palavra etimológicamente positiva pode vir carregada de emoção negativa, captada pela sensibilidade do interlocutor, e a recíproca também é verdadeira.

Por isso, ao endereçarmos palavras ao próximo, que o espírito nelas contido seja a expressão dos nossos melhores sentimentos de paz, auxílio e convivência, enfim, de fraternidade. E que os nossos impulsos instintivos de intolerância, impaciência e revolta, alimentados pelo orgulho e vaidade feridos, verdadeiros furacões destruidores das mais árduas conquistas de bem, sejam contidos no nascedouro, nem que para tanto tenhamos literalmente de morder a nossa língua, caso esqueçamos de emitir aquela prece-pensamento-relâmpago de socorro ao Alto para que emudeçamos nesse instante crucial.

Autoria: 
Raphael Rios