Vovó Felicidade: um exemplo de resignação


Na sexta-feira do dia 24/03/06, ao final do trabalho do Encontro à Luz do Evangelho, no momento em que os médiuns tarefeiros abriram o seu campo mediúnico para que amigos espirituais pudessem nos ofertar mensagens fraternas, Vovó Felicidade, em suas reflexões dos tempos passados, nos contou um pouco de sua história.

Quando ainda se encontrava encarnada, militando na senzala como “Preta Velha”, sempre buscava confortar e acalentar todos àqueles irmãos, sofridos e amargurados, com a bondade e a doçura do seu coração, ofertando-lhes, desta maneira, o bálsamo do amor e da fraternidade, buscando levar-lhes os sublimes ensinamentos do Mestre Jesus e o infinito amor do Pai da Vida.

Sem dúvida era nobre e bondosa a sua atitude perante aqueles irmãos que vinham de suas lides diárias, cansados, alquebrados, enfermos, por vezes castigados pelo feitor de escravos e pelo “sinhô” da fazenda, sendo tratados como meras criaturas, isentas de sentimentos, onde apenas recebiam a dureza e o desprezo dos corações que as compraram, tidas como simples mercadorias.

Na sua atitude fraterna, Vovó Felicidade procurava auscultar todos aqueles irmãos, deixando que extravasassem as suas dores, envoltas em ressentimento, angústia, revolta, incompreensão, rancor, ódio, tristeza, medo, insegurança... Após este ouvir, pacientemente, seus queixumes e, assim, terem desabafado, quando estes corações estavam mais serenos e receptivos, ela aconselhava-os com suas ponderações e experiências para que não se revoltassem, que buscassem cooperar e, com esforço, procurarem fazer o melhor, evitando qualquer revide e desforra, visando incutir, nestes irmãos, a humildade e a compreensão. Estimulava-os para que trabalhassem sem revolta, pois, assim, executariam melhor suas tarefas e, com isto, deixariam o “sinhô” satisfeito, não dando margem para fossem castigados.

Nestas apreciações, ela também voltava sua atenção para as crianças que lá se encontravam, dizendo-lhes para que não seguissem os exemplos equivocados dos mais velhos, afim de que, no futuro, não viessem a sofrer com os castigos e corrigendas que lhes seriam aplicadas pelos feitores de escravos. Assim, ela dirigia-se ao encontro dos pequeninos mais bondosos e sensíveis, buscando sempre auxilia-los, ensinando-os para que pudessem, por sua vez, ajudar aqueles companheirinhos mais resistentes.

Na sua jornada, quando encarnada, Vovó Felicidade levou a paz para muitas criaturas e, hoje, vivendo no plano espiritual, continua o seu trabalho de amor e fraternidade, tocando, docemente, os corações daqueles que adentram o nosso Núcleo, presenteando-os com suas palavras envoltas em muito amor.

Assim, Vovó Felicidade deixa-nos preciosa lição, para que compreendamos os momentos difíceis que nos cercam, enfatizando que, se agirmos com humildade e resignação, conseguiremos tirar das provas ensinamentos, visando nosso aprimoramento e evolução, pois, se a revolta fizer morada em nosso coração, a dor agirá tal qual a chibata, para que nos tornemos mansos e pacíficos, realizando nossa reforma interior.

Para a Senhora, Vovó Felicidade, nós ofertamos um buquê de rosas brancas, contendo o perfume do nosso carinho e amor acompanhados do nosso muito obrigado!

Autoria: 
Cíntia M. P. Varella