Gestação Terrena e Gestação Espiritual


Ser mãe. Não há nada mais sublime e gratificante nesta vida do que ser mãe. É ela quem abre as portas deste mundo para que possamos, através de mais uma jornada terrena, alcançar nossa elevação espiritual.

A gestação de um novo ser é o momento mais maravilhoso que uma mãe pode desfrutar. Durante nove meses ela sente desconforto e constantes preocupações; mas nada ofusca a alegria de saber que carrega consigo um novo ser, um companheiro de outras vidas que vem ao mundo rogando seu auxílio para que possa concluir com sucesso sua missão neste planeta.

Durante o primeiro mês a mãe nada sente, embora note que algo diferente ronda seu lar... Isso às vezes gera um pouco de apreensão, mas, ao mesmo tempo, muita alegria e emoção por já pressentir a chegada do filho querido.

Nos segundo e terceiro meses, aparecem os enjôos e as indisposições e o seu corpo, lentamente, começa a mudar; mas nada é comparável à alegria que sente quando da confirmação de sua gravidez.

Quarto e quinto meses: além de todos os desconfortos físicos que sente, ainda carrega consigo a preocupação com a saúde de seu bebê. Será perfeito? Ficará bem? Entretanto, todas essas preocupações desaparecem quando visualiza seu bebê no exame de ultra-som. Já não se importa mais se será perfeito ou não. Seu amor é incondicional. Uma onda de alegria inunda seu coração, imaginando-se com aquela criança nos braços chamando-a de mamãe.

Sexto e sétimo meses: o ventre cresce cada vez mais e já está difícil dormir; não há posição na qual o corpo sinta-se descansado. Há, ainda, a preocupação financeira. Poderei dar tudo que meu filho precisa? Mas esquece rapidamente de todas suas dúvidas quando sente seu bebê mexendo-se no seu ventre, como a lhe dizer que o valor maior que ela poderá lhe dar será o seu amor incondicional.

Oitavo e nono meses: o parto está próximo e começam as tensões que cercam o momento tão esperado. Será que ele está bem? Vai dormir apreensiva mas, ao acordar, a felicidade volta ao seu semblante ao recordar que sonhara com seu filho correndo alegremente por jardins floridos, pulando em seu colo e pedindo que não se preocupe, pois estão sendo amparados por Jesus.

É chegado o momento: na sala de parto a incerteza, a dúvida, as dores e o torpor. Apesar da anestesia, percebe a apreensão dos médicos e pede ao Alto que lhe ampare neste momento tão importante. De repente, ouve um choro... é seu filho querido que veio ao mundo... E nada, nada mais tem importância para ela. Não se lembra dos momentos difíceis por que passou. Todas as apreensões, as dificuldades, todo o desconforto da gravidez foram esquecidos. Venceu os obstáculos e só tem olhos para aquela alma querida em forma de criança que através de seu choro diz: "Obrigado, mamãe."

Assim também deveria ser a nossa vida. Estamos como em uma gestação espiritual neste planeta de provas e expiações. No início, ainda crianças, nada sentimos. Estamos sempre alegres e descontraídos. Mas embora adormecidos, já sabemos de nossa missão, pois a ligação com o mundo espiritual ainda é grande.

Crescemos e nos tornamos adolescentes. Começam nossas preocupações: será que iremos encontrar alguém que nos ame? Nosso grande amor? Mas apesar de todas as dúvidas, seguimos felizes, pois temos a certeza de que alguém muito querido nos aguarda, mesmo que não seja nesta encarnação. Nos estudos, nossas preocupações também são grandes: conseguirei passar no vestibular? Qual a profissão que desejo seguir? Mas estes questionamentos são abafados pela certeza de que, na espiritualidade, antes de nossa encarnação, já escolhemos um caminho a seguir, o qual percorreremos com dedicação e amor.

Somos adultos, responsáveis, mas nossa preocupação continua. Não sabemos se iremos encontrar um emprego que nos traga tranquilidade e satisfação pessoal. Entretanto, não perdemos a esperança, pois sabemos que todo trabalho enobrece o homem e teremos aquilo que precisarmos para nossa elevação espiritual.

É hora de nosso casamento e do nascimento de nossos filhos. Começam as preocupações com o futuro: temos que fazer economia para sustentar nosso novo lar. Sabemos, porém, que o dinheiro em excesso, ou a falta dele, poderá nos desviar do caminho e que são os momentos de dificuldade que fortalecem a união de um casal. Quanto à criação de nossos filhos, temos a certeza de que eles também têm suas missões pessoais e que nem sempre aquilo que queremos para eles será o melhor para o aprendizado espiritual de cada um.

Nossos filhos crescem, se formam, casam e nos sentimos sós. Mas conquistamos inúmeras amizades trabalhando no campo da caridade e do amor. Sabemos que nossa família não se limita a nossos parentes e que temos que amar a todos aqueles que cruzam nossos caminhos.

Chega a velhice. Nosso corpo não mais nos obedece. Temos dores e não conseguimos mais fazer tudo o que temos vontade. Mas ainda podemos fazer muito pelo próximo através de nossa palavra, das nossas orações e de nosso exemplo, enfrentando as doenças com coragem e resignação.

Começamos então a nos preocupar com nosso desencarne. Como será? Vou sofrer? Eis que chega o momento... O desconhecido ainda nos assusta. Mas, de repente, um silêncio toma conta do ambiente e uma paz invade nosso coração. Abrimos os olhos e nos vemos em um lindo jardim, repleto de flores, pássaros e tantos amigos queridos a nos abraçar. Desencarnamos e chegamos ao mundo espiritual. Não mais nos lembramos de todo o sofrimento por que passamos. As preocupações, as angústias: tudo desaparece. Vencemos! Passamos por todos os obstáculos com resignação e amor. Retornamos ao nosso verdadeiro lar...

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Reflitamos sobre as duas situações. Triste da mãe que não tem coragem para suportar todas as provações do caminho; que foge das dores e da transformação de seu corpo e não aproveita todos os bons momentos que essa fase pode lhe oferecer. Triste da mãe que interrompe sua gravidez e perde a grandiosa oportunidade que Deus lhe deu de ter consigo uma alma querida a lhe chamar de mamãe.

Triste também, daquele que não tem coragem para suportar todas as provações que a vida lhe impõe; que não suporta as dores, que blasfema, que reclama e que, cego pela ilusão da matéria, perde os momentos de alegria que a vida lhe traz. Adia a chegada de sua verdadeira felicidade: a paz e a alegria em seu coração e, por conseguinte, o seu divino encontro com Jesus!

Autoria: 
Alexandre Ferreira

Parabéns pelo lindo texto!