Atitude espírita perante a guerra


"Amai os vossos inimigos, fazei o bem àqueles que vos odeiam e orai por aqueles que vos perseguem e vos caluniam." (São Mateus, cap.V, v.20). Sabemos que Jesus não quis dizer, por essas palavras, que se deve ter pelo inimigo a ternura que se tem para com um irmão ou amigo, mas que não devemos ter contra eles nem ódio, nem rancor, nem desejo de vingança.

Sim, caro leitor, vamos tecer algumas palavras sobre esses tristes acontecimentos que nos foram mostrados nos últimos dias: a guerra entre os Estados Unidos e o Iraque.

Entretanto, gostaríamos de abordar esse tema de forma diferente: não vamos falar do ódio presente nos corações dos governantes desses países, nem das barbáries que foram cometidas com os civis iraquianos, pois isso tudo já nos foi passado em abundância pelos meios de comunicação. Vamos pensar em como nós, espíritas, estamos vivenciando este ensinamento de nosso Mestre.

É fato que as autodenominadas "forças do bem", lideradas pelos EUA, tendo como objetivo destruir as ditas "forças do mal" dizimaram milhares de pessoas, levando pânico e desespero a tantos inocentes que não tinham como se defender. Mesmo com todas as justificativas, mesmo autodenominando-se salvadores do planeta, os EUA vêm gerando um sentimento de revolta e indignação em todos os povos da Terra.

Não podemos sonhar que grandes líderes terrenos, aqueles que vivem cercados de glórias, poder e fortuna, saibam amar seus inimigos, perdoar suas ofensas; mesmo porque, amar os inimigos é um absurdo para aqueles para quem a vida presente é tudo. Para essas pessoas o inimigo é um ser nocivo que tem de ser destruído (e não perdoado).

Mas e nós, espíritas? Será que vimos agindo de maneira diversa? Vibramos pela paz mundial, mas, ao mesmo tempo, desejamos a destruição da soberba e do orgulho das grandes potências; oramos pelos governantes dos países em guerra, mas não ficaríamos tristes se os mesmos fossem eliminados de maneira violenta; choramos, emocionados, pelas vítimas civis que desencarnam de forma humilhante e cruel, mas não pensamos nos inocentes que poderiam morrer, quando "sonhamos" com um possível revide dos mais fracos aos mais fortes.

Oração e vigilância com os nossos pensamentos; não carreguemos em nossos corações sentimentos de ódio e vingança, pois, embora por motivos diferentes, esses sentimentos são os mesmos que guiam os comandantes dessa guerra fratricida.

Vivemos ainda em um mundo de expiação e provas. Muitas dessas pessoas que vem sendo dizimadas em mais esta triste guerra expurgam suas faltas, colhem seu plantio. Não nos revoltemos com as imagens que nos chegam aos olhos, pois sabemos que, em todo o universo, nenhuma folha cai de uma árvore sem que seja da vontade de Deus, nosso Pai.

Talvez as guerras ainda sejam necessárias para que essas imagens tenebrosas e cruéis possam amolecer os corações ainda endurecidos de todos os seres deste planeta. Talvez essas crianças que vemos na televisão, queimadas, mutiladas e com ar desolador, sejam, na verdade, espíritos iluminados, corajosos mártires que vêm à Terra com a grandiosa missão de mostrar ao mundo o quão pequenos e mesquinhos ainda somos, quão insensatas são essas guerras, assim como os sentimentos de ódio, egoísmo, orgulho e vingança e que, acima de tudo, é preciso amar ao próximo como a nós mesmos.

Saibamos honrar esses grandes missionários do Alto, eliminando de nossos corações qualquer sentimento de revolta. Vibremos paz, sentindo a paz dentro de nós; vibremos amor, vivenciando os ensinamentos do Cristo Jesus; sonhemos com um mundo melhor, tornando-nos pessoas melhores...

Autoria: 
Alexandre Ferreira