O oriente, o ocidente e a vida espiritual


PERGUNTA DE ELVER E. VALENTE: Como os espíritas avaliam as diversas religiões orientais espiritualistas que desenvolvem, também, um trabalho voltado para a evolução tendo o altruísmo como ensinamento básico? Os Budistas que são reencarnacionistas e não cristãos, enxergam a reencarnação como os espíritas?

Alertamos para o fato de nem todas as filosofias orientais estarem baseadas no altruísmo. Muitas delas estão baseadas no conceito de karma, sendo que o seu objetivo é simplesmente a eliminação do mesmo. Seu conceito de reencarnação não é o mesmo que o pregado pelo espiritismo. Para nós, a reencarnação é ferramenta de progresso onde a vida e suas vicissitudes, bem como seus momentos felizes, servem para que façamos uma auto-avaliação e, assim, percebamos onde precisemos nos melhorar moral, intelectual ou espiritualmente.

Não nascemos para pagar pecados. O objetivo de cada vida é puramente o progresso do ser humano. Paramos de reencarnar quando a matéria não puder nos ensinar mais nada que não possamos aprender fora dela. Já para as filosofias orientais, incluindo aí o budismo, o espírito fica preso a um ciclo de reencarnações até que ele tenha esgotado o seu karma. O karma tanto pode ser negativo, fruto de maus atos, quanto positivo, fruto de boas ações. Um evento positivo pode cancelar um negativo e vice-versa e, com isso, anular o karma. Aí ele estará num estado de felicidade pura conhecido como Nirvana.

Ramatis, no livro "Espírito da Filosofia Oriental", diz sobre a diferença de compreensão e temperamento que existe entre o Oriente e o Ocidente: "Enquanto os orientais, principalmente os hindus, são meditativos e buscam aprender a realidade imortal no silêncio da alma, os ocidentais são dinâmicos e procuram o conhecimento através das formas ou da manifestação fenomênica do mundo".

Além disso, diferentemente do Espiritismo, o Budismo não admite a existência de um Deus real, único e supremo como o nosso Deus, mas crê numa energia pura que está dentro de cada ser vivo. Tudo, para os budistas, é Deus.

Enfim, para o oriental, os ocidentais são caçadores de sombras - o Maya, a Ilusão. O oriental vive muito alheio às coisas da vida terrestre; já o ocidental vive engolfado nas coisas terrenas; realiza mais coisas em redor de si do que os orientais, que na sua maioria, são mais meditativos e voltados para o seu eu interior.

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Autoria: 
Márcia R. Farbelow e Hugo Puertas de Araújo