Efeitos positivos e mecanismos mal compreendidos


PERGUNTA DE MARIA BETÂNIA BENITO: A cromoterapia pode realmente influenciar um ambiente qualquer e ajudar as pessoas? Allan Kardec, se hoje estivesse entre nós, não consideraria as cores em nossas vidas uma mistificação?

Mistificações e técnicas de efeitos positivos, mas de mecanismos mal compreendidos, sempre andam juntas. Quando não há um estudo sério sobre os mecanismos pelos quais se produzem certos fenômenos, sempre há uma brecha para que qualquer pessoa de má-fé, ou mesmo alguém de boa-fé, mas sem conhecimento, possa mistificar. Se Kardec estivesse entre nós hoje em dia, provavelmente iria pesquisar a cromoterapia e tentar verificar o seu funcionamento. É certo que as pessoas obtém resultados bons com essa técnica, mas ficamos sem saber se isso ocorre por causa da sua fé ou devido à própria cromoterapia. Existem estudos que mostram que as cores e os sons e os cheiros podem afetar o estado de humor das pessoas. Também sabemos que o estado de humor afeta a nossa predisposição para melhorarmos de certas doenças, ou ficarmos mais suscetíveis a outras. Assim, o mecanismo por trás das técnicas de cromoterapia podem estar ligados a esses efeitos psicológicos que já são estudados pela nossa ciência.

No entanto, uma coisa é certa: a cromoterapia não pode ser vinculada ao espiritismo. Funcionando ou não, possuindo uma base física ou apenas psicossomática, a cromoterapia não se vincula ao espiritismo. A única técnica empregada por Kardec e que está no espiritismo desde a sua criação é a fluidoterapia através do passe. Cromoterapia, florais de Bach, pirâmides, e outras técnicas alternativas não podem ser confundidas com o espiritismo, pois não fazem parte de sua base. Não se trata de dizer que elas são mistificação ou que não produzem resultados positivos, trata-se apenas de não se misturar coisas que não estão ligadas. Pelo mesmo motivo não podemos considerar a filosofia de Ghandi e dizer que ela é espírita só porque é boa. Cada coisa no seu lugar.

Dúvidas sobre a Doutrina? Envie sua pergunta para o e-mail: divulgacao@neapa.org.br.

Autoria: 
Márcia Regina Farbelow e Hugo Puertas de Araujo