Conforme os exemplos de Nosso Mestre Jesus


Jesus, muitas vezes, ao curar, dizia: "Eu te perdôo", "Teus pecados estão perdoados", significando: "Eu perdôo os teus pecados e, com isso e por isso, te curo."

Estas palavras escandalizavam os fariseus, já que o perdão dos pecados era prerrogativa única e exclusiva de Deus.

No Pai Nosso, oração que Jesus nos legou, diz-nos ele que peçamos a Deus que perdoe nossas dívidas (pecados) na medida em que (assim como) perdoamos os nossos devedores, isto é, praticando um ato de amor ao próximo para podermos receber um outro ato provindo do amor de Deus por nós. Há uma reciprocidade que atende o imperativo da justiça divina, o "dar para receber", o "semear para colher".

Nós, espíritas, já sabemos, que Jesus não é Deus, nem tampouco representa a segunda pessoa do dogma católico da trindade divina, mas, sim, o mais elevado espírito que pisou nesta Terra, Messias enviado do Pai para ensinar e ser exemplo para que conquistemos a nossa própria redenção, governador espiritual que Ele é desta humanidade.

Então, como Jesus poderia perdoar sem se atribuir um poder indevido e sem derrogar as leis divinas de amor e justiça?

Esclarecem-nos os inspirados expositores da "Escola de Aprendizes do Evangelho" de que a delegação dos poderes de perdoar (e muito mais) é conferida pelo Pai aos filhos que já conhecem e realizam suas leis, como colaboradores da Divindade no governo do universo e dos seres através das e obedientes às leis imutáveis, incluindo-se nesta categoria o puro espírito Jesus de Nazaré.

Compreender-se-á que o poder de perdoar pelos prepostos da Divindade está forçosamente associado ao de penetrar na alma das criaturas e constatar que aquela reciprocidade exposta no Pai Nosso já possa ter sido cumprida pelo paciente no seu resgate cármico, tornando-o eletivo para receber a cura.

O próprio Jesus, humildemente, nos revela, em João 14:10, o fio condutor que o ligava ao Pai da Vida: "As obras que faço, não sou eu que as faço, é o Pai em mim que as faz; de mim mesmo, eu nada posso fazer".

Autoria: 
Raphael Rios