Devemos sempre nos utilizar do voto nas urnas


PERGUNTA DE NORTON U. LOPES: Este será novamente um ano de eleições para cargos públicos. Não voto e nunca votarei em ninguém, por razões óbvias. Também não admito uma religião se envolver em política. O que pensa o Espiritismo?

Achamos que religião e política devem permanecer separadas. Existem muitas religiões e o Estado deve ser equânime para com todas.

Já quanto ao voto, não achamos que a omissão seja a resposta para os problemas sociais que enfrentamos. Devemos sim fazer uso do voto, o único meio que o povo dispõe e, antes de tudo, uma conquista que custou muito caro para muitos irmãos antes de nós.

O voto é muitíssimo recente na história da humanidade. Durante séculos as classes dirigentes foram escolhidas, ou por linhagem de sangue, ou pela força das armas. No máximo escolhida pelo voto de uma pequena elite privilegiada. O povo nunca foi consultado e sempre sofreu a pressão de governos despóticos ou incompetentes, ou ambos. Depois começou a haver uma democratização das estruturas governantes e foi implantado o voto direto.

No início, tal privilégio cabia apenas aos homens alfabetizados. Mulheres, analfabetos e outras classes só começaram a ser ouvidas muito recentemente, há algumas décadas no caso do Brasil. Sabemos que só seremos uma sociedade verdadeiramente civilizada quando a ninguém faltar o necessário, quando não existir mais idosos abandonados ou obrigados a prover o próprio sustento mesmo não tendo mais forças físicas, quando não houver mais crianças sem lar e carinho, quando todos os cidadãos tiverem moradia, alimentação, vestimenta e recursos para a saúde, quando, enfim, todos os membros dessa sociedade se ajudarem mutuamente.

Assim, devemos nos conscientizar, reparar o quão recente é esse fenômeno do voto e que da noite para o dia não podemos querer que tudo seja perfeito. Se quisermos mudar aquilo que não nos agrada, devemos nos dar ao trabalho de escolher nossos representantes e de cobrá-los quando eles estiverem em seus cargos. Afinal, nenhuma mudança significativa vem de cima para baixo.

Esta é a base da própria Doutrina Espírita, pois, para praticá-la, temos de nos educar. E a educação tem um conteúdo extremamente político, pois muda nossa forma de ver o mundo e de nele agir.

Na questão 766 de O Livro dos Espíritos Kadec pergunta: "A vida social está na Natureza? - R.: Certamente, Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação".

O Espiritismo nos fala da realidade do espírito e do seu processo evolutivo, ensinando-nos que a felicidade é uma construção individual e principalmente coletiva. O Espiritismo tem sua contribuição para dar, pois basta analisar seus princípios filosóficos para ver que ele propõe o que a humanidade deseja: o reino da justiça, obstando os abusos que impedem o progresso e a moralização das massas. Assim, nosso voto, ou nossa ação política deve objetivar o bem comum.

Consequentemente, a omissão e a ociosidade que venham a alimentar qualquer tipo de isolamento social, produzirão sempre a inutilidade, o fanatismo ou o egoísmo rotulado de pureza ou santidade.

A questão não é deixar de fazer algo que esteja sendo feito, mas sim, analisarmos se não estamos deixando de fazer algo que já deveríamos estar fazendo.

Não podemos nos omitir, nos abster de votar, ou de fazer qualquer outra coisa, como estudar, ou praticar a caridade. Essa é a essência da evolução e a nossa razão única de estarmos aqui encarnados. O mundo precisa do nosso comprometimento para ser o mundo que todos queremos, desejamos e aguardamos.

O mundo espera. As criaturas precisam, e Deus conta conosco.

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Autoria: 
Hugo Puertas de Araújo e Márcia R. Farbelow