A clonagem humana e suas questões éticas


PERGUNTA DE PHILIPE RATON: Acho o Papa João Paulo II um homem de bem. Não concordei com ele quando afirmou que condenava a clonagem humana e gostaria de uma refutação.

De fato, o papa é um homem de bem e estava apenas sendo coerente com a sua crença, na qual, aliás, ele desempenha um papel importante e que simboliza o freio ético que sempre deve existir com relação a qualquer tipo de experiência científica. Sem esse freio, podemos até nos destruir enquanto sociedade.

O alerta do Papa refere-se ao fato dos pesquisadores não levarem em conta a ética (parte da filosofia que estuda os deveres do homem para com Deus e a sociedade). A ciência ortodoxa está centrada na Europa e nos Estados Unidos e esses países não respeitam o embrião. Se a ciência não se submete à ética para lidar com os embriões, como pode discutir, com equilíbrio, a clonagem de seres humanos?

Nós, Cristãos, sabemos que em primeiro lugar está o respeito incondicional à vida. Sabemos através da doutrina espírita, que corpo e espírito são coisas distintas e que, apesar de ligados durante a vida física, o espírito pode viver independentemente do corpo, mas o corpo não pode se desenvolver sem a presença de um espírito para animá-lo. Assim, todo e qualquer clone criado pelo homem só poderá se desenvolver se houver um espírito ligado ao mesmo.

Ora, a presença desse espírito simboliza a "permissão" de Deus para que o fato ocorra. Logo, a experiência não é contrária aos desígnios de Deus, como muitas religiões vêm pregando.

Nos últimos meses, milhares de religiosos e especialistas vêm se reunindo, em várias partes do mundo, para discutir esses avanços da ciência e suas complicadas questões éticas. Para nós, espíritas, as preocupações não são diferentes e precisam ser discutidas . O homem tem o direito de fazer cópias humanas? De manipular embriões? O clone possui alma? Algumas respostas são mais fáceis, outras nem tanto, exigindo reflexão madura, livre de preconceitos e fanatismo.

Na clonagem humana, o raciocínio pode ser baseado no ensinamento básico: "toda criança que vive após o nascimento tem, forçosamente, encarnado em si um Espírito"; do contrário, "não seria um ser humano". (O Livro dos Espíritos, questão 356).

Assim, se a clonagem humana tiver sucesso, certamente, não produzirá robôs, mas seres autênticos.

A realidade é que é muito cedo para clonar humanos, não apenas do ponto de vista da Ciência, mas também da evolução espiritual dos terráqueos, que necessitam, ainda, de maiores progressos no campo do sentimento.

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Autoria: 
Hugo Puertas de Araújo e Márcia R. Farbelow. Referências: portal www.espirito.com.br