A aceitação das doenças e a luta pela vida


Conheci uma pessoa que se negou a fazer um tratamento de hemodiálise. Disse que não queria se submeter a um tratamento tão doloroso que somente iria adiar por alguns meses seu desencarne; Um outro amigo, com câncer já avançado, também não quis se submeter a seções de quimioterapia pelo mesmo motivo. O espiritismo considera essas atitudes como suicídio?

O suicídio é um ato consciente e deliberado que a criatura realiza com o objetivo imediato de causar sua própria morte. Embora consciente, a criatura é presa de grande perturbação, a ponto de sobrepujar o instinto de conservação, diante de uma situação que ela não consegue suportar, buscando, então, a fuga pelo atentado à vida.

Nos dois casos acima, os pacientes aceitam de antemão uma doença que acreditam que lhes traga a inevitável morte. A intenção das suas recusas ao tratamento é, portanto, evitar um sofrimento que eles consideram inútil.

O suicidio se aplica desde aquelas pessoas que deliberadamente atentam contra a sua vida até aquelas outras que, sabendo que um dado procedimento é danoso, mesmo assim continuam praticando-o. Dentro dessa última categoria vamos encontrar fumantes (desde que esclarecidos sobre os males do cigarro), alcoólatras e também aqueles que desistem da vida, por exemplo, através do abandono a um dado tratamento.

A grosso modo isso seria o suicídio sob a óptica espírita: o atentado material, mas também o entregar-se a "prazeres" perniciosos e também desistir de continuar vivendo.

Por outro lado, não é suicídio quando uma pessoa, mesmo sabendo que vai morrer, atira-se a uma tarefa que vise um fim nobre (por exemplo o bombeiro que arrisca a própria vida para salvar a de outrem), pois nesse caso não há a intenção de morrer.

Obviamente há uma série de fatores atenuantes e/ou agravantes para um dado procedimento, pois cada caso é um caso.

A vida é um dom de Deus, que nos dá oportunidade de resgate não só de vidas passadas como também da atual. Desperdiçá-la é um crime contra nós mesmos! Devemos aproveitar cada minuto sobre a face deste planeta para progredir, moral e intelectualmente. É encarando as dificuldades que crescemos enquanto seres humanos. Fugir às responsabilidades apenas faz com que tenhamos que enfrentá-las mais tarde, após a perda de preciosíssimo tempo. É da conscientização dessa perda que advém o sofrimento do suicida. Pois o que ele deixou para trás terá de ser resgatado.

Aqui no caso, tanto a hemodiálise como a quimioterapia, podem, equivocadamente, ser vistas como situações tristes, no entanto, não devemos ficar diante delas desanimados, e sim utilizarmos a paciência e a coragem, entesourando ensinos que as situações nos ensinam em nosso próprio favor.

Só Deus conhece o futuro das criaturas. A Doutrina também esclarece a importância das enfermidades graves ou não, para promover a transformação espiritual dos seres.

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Autoria: 
Pergunta respondida por Oscar Camanho, Raphael Rios e Adriano de Castro Filho. Repórter: Márcia Farbelow