Parábola do Bom Cristão


Conta uma história que, certa vez, durante uma reunião em uma casa espírita, uma entidade superior manifestou-se e passou a ressaltar as belezas do plano espiritual.

Então, levantando-se, disse-lhe um tarefeiro da casa, para o tentar: Irmão, que preciso fazer para alcançar essas belezas do Plano Maior?

Respondeu-lhe o mentor: O que está escrito no capítulo XI do Evangelho Segundo o Espiritismo?

Ele respondeu: Que devemos amar o próximo como a nós mesmos e que devemos fazer aos outros o que queremos que os outros nos façam.

Disse-lhe a entidade: Respondeste muito bem; faze isso e alcançarás tais moradas.

Mas, o homem, querendo parecer que já era um espírita caridoso, diz à entidade: Quem é o meu próximo?

O mentor, tomando a palavra, lhe diz: "Um homem, que voltava de seu trabalho, caiu em poder de ladrões, que o despojaram, cobriram-no de ferimentos e se foram, deixando-o semimorto.

Aconteceu, em seguida, que um pastor evangélico, que ia pelo mesmo caminho, o viu, mas como estava deveras atrasado para seu culto diário, passou adiante.

Um tarefeiro de uma casa espírita, que também seguia por aquela rua, tendo-o observado, julgou tratar-se de um malfeitor que fingia estar ferido para assaltá-lo e passou igualmente adiante.

Mas um ateu que por ali passava, chegando ao lugar onde jazia aquele homem e tendo-o visto, foi tocado de compaixão. Aproximou-se dele e limpou-lhe as feridas; depois, pondo-o em um táxi, levou-o a um médico conhecido.

Pagou pelos primeiros socorros e disse: Dr., trata muito bem deste homem e tudo o que despenderes a mais, eu te pagarei quando regressar de meu compromisso".

Qual desses três te parece ter sido o próximo daquele que caíra em poder dos ladrões?

O homem respondeu: Aquele que usou de misericórdia para com ele.

Então, vai, diz o mentor, e faze o mesmo. Situa-te em lugar do ateu generoso... Talvez estivesse ele com os minutos contados... Muito compreensivelmente, estaria sendo chamado com urgência e teria pressa de atingir seu destino.... Provavelmente fosse atender a encontro marcado... É possível que estivesse chegando, naquela hora, o fim do dia e que devesse acautelar-se contra qualquer trecho perigoso do caminho, na sombra da noite próxima... No entanto, à frente do companheiro anônimo abatido, detém-se e se compadece. Olvida a si mesmo e não pergunta quem é. Aproxima-se. Faz curativo. Para ele, contudo, isso não basta. Coloca-o em um táxi. Leva-o a um médico e responsabiliza-se por ele. Além disso, compromete-se sem indagar se está preservando um adversário. Pagará pelos serviços que receba. Vê-lo-á, quando regressar.

Autoria: 
Da redação. Baseado em mensagem do Livro Encontro Marcado