O casal e suas responsabilidades no lar


PERGUNTA DE FERNANDA AMORIM: Nós, mulheres, estamos nos afastando de nosso dever junto a Deus? Há homens que acreditam que as mulheres na atualidade, por trabalhar fora, estão deixando de ser femininas, abandonando o amor de que o lar precisa. Qual é a opinião espírita sobre o machismo?

Atualmente as mulheres já conquistaram o mercado de trabalho e suas capacidades se igualaram às masculinas. Isto nos mostra que ambos possuem capacidades similares e, embora os preconceitos ainda existam, sem dúvida nenhuma as mulheres passam agora a perseguir objetivos profissionais com a mesma intensidade com que os homens sempre perseguiram.

Porém, não há como negar que as atividades relacionadas ao cuidado com os filhos ficam prejudicadas, já que na atualidade ambos os cônjuges estão fora de casa. Mas esse aspecto deve ser enfrentado pelo casal e não ser atribuído a falhas no comportamento feminino. As condições sócio-econômicas de hoje em dia tornam essas mudanças de comportamento não só naturais, como também necessárias.Com elas vêm também a necessidade de se resolver as questões relativas ao gerenciamento do tempo, programação familiar, consumismo e custo de vida e também a emancipação feminina, que faz com que a mulher busque o seu lugar na sociedade como elemento ativo e não como alguém que deve ficar na dependência de outrem. Afinal, as soluções devem ser buscadas observando-se o futuro e não voltando-se ao passado, por preconceito ou medo das mudanças.

A sociedade é viva e dinâmina. Devemos acompanhar suas transformações sem preconceitos e enfrentar os problemas conforme eles surjam. É muito cômodo esperar da mulher todas as providências relacionadas ao cuidado do lar. Difícil, contudo, é procurar um entendimento do casal de tal forma que as tarefas sejam divididas de modo a não sobrecarregar ninguém e o tempo seja melhor administrado para que os filhos também não sintam a falta dos pais.

Já se foi o tempo em que a mulher era encarada apenas segundo a sua capacidade para a maternidade. E o homem? Qual o seu papel perante a paternidade? O compromisso assumido, quando entra em jogo um terceiro elemento na família, deve ser compartilhado por ambos e não empurrado de um para o outro. A educação de um novo ser é algo muito sério e deve merecer todas as atenções e energias disponíveis do casal. E com isso tudo a mulher não deixa de ser feminina, tanto quanto o homem não é menos masculino por dividir tarefas com as mulheres.

Achamos que à mulher cabe uma importante quota de contribuição com a obra de Deus, oferecendo a sua sensibilidade e a sua inteligência em favor da vida, uma vez que cabe a ela conduzir os homens, dando-lhes as primeiras noções de vida. Assim, se estas mulheres resolvessem mudar a sociedade, bastaria, para tanto, tomar as mãos do homem, ainda criança e fazer dele um homem justo, um homem de bem. Mas para que isso aconteça, é preciso que todos, homens e mulheres tomem consciência da sua missão na face da Terra, que está muito além da disputa de forças e de conquistas de bens materiais.

Um dia, um casal discutia sobre os problemas domésticos. Em determinado momento estavam disputando quem representava "o cabeça" do casal (quando ainda existia na legislação brasileira esse papel). Após alguns argumentos, a mulher falou: "de fato você é "o cabeça" perante a lei, mas eu sou o pescoço, e se eu amanhecer com torcicolo você estará com dificuldades, pois perderá totalmente os movimentos". Todos riram e o assunto ficou encerrado. Todos nós, homens e mulheres, somos filhos de Deus criados para a perfeição. Se temos que disputar alguma posição, que seja a de mais servir ao Criador com coragem e disposição.

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Autoria: 
Márcia R. Farbelow e Hugo Puertas de Araújo