Livrando-nos da culpa e reparando os erros


Pergunta de Angélica R. Oliveira: Se eu fizesse um aborto aos 17 anos eu seria perdoada pela espiritualidade por ser imatura? E se eu fizesse um aborto aos 37 eu estaria condenada no plano espiritual por ser uma mulher madura?

Na verdade, não é o plano espiritual, Jesus ou mesmo Deus que nos condena por qualquer ato que venhamos a executar.

A condenação vem de nós mesmos, de nossa consciência.

Assim, pouco importa a idade. Se nossa consciência for contra, criaremos o sentimento de culpa (pelo aborto ou por qualquer outra coisa) e é essa sensação de culpa que poderá trazer efeitos danosos, tanto ao nosso campo mental, quanto ao nosso corpo físico, nesta ou em outras vidas.

Mas e se a nossa consciência ainda não estiver desperta devido à estarmos em uma fase evolutiva ainda inferior? O que acontecerá?

Bom, nesse caso, não existe o conceito de cobrança, já que não há o sentimento de culpa. O que acontecerá é que nos veremos perseguidos pelas pessoas a quem prejudicamos, ou se os prejudicados formos nós mesmo, enfrentaremos isso sob a forma de doenças (no caso do aborto isso pode se traduzir em deficiências uterinas, mesmo não havendo o sentimento de culpa por parte da pessoa que o praticou), até que desenvolvamos a nossa consciência, quando então já seremos capazes de evoluir sem ter que sofrer as consequências de atos ruins, já que a consciência pode nos impedir de praticá-los.

Disso fica claro que a culpa é um sentimento ruim e que ao desenvolvê-la podemos acarretar uma série de doenças e sofrimento que tem justamente a finalidade de nos despertar e nos demover da atitude passiva da culpa e nos lançar em atitudes mais ativas de reparação do erro e consequente crescimento espiritual.

O arrependimento é necessário mas a ele deve se seguir não a culpa mas a vontade de reparação. Voltando ao caso do aborto, mais vale a quem o praticou procurar trabalhar a caridade, por exemplo ajudando órfãos e crianças de rua (como também qualquer outra atividade de caridade, mesmo que não relacionada a crianças), do que ficar se lamentando do seu ato e acabar acarretando um desequilíbrio psicossomático que poderá desembocar numa doença qualquer nessa ou noutra vida.

Nosso Pai criou os espíritos simples e ignorantes, com a determinação de que alcancem a perfeição. Para que isto possa ocorrer, Ele criou leis como a do progresso - tudo progride na criação; a da reencarnação - os espíritos que alcançaram o reino hominal, reencarnam para progredir; e a lei de causa e efeito - somos livres para semear, mas obrigados a colher o que semeamos.

Sabemos que no plano espiritual o espírito pode aprender muito, adquirir inúmeros conhecimentos.

Entretanto, só terá a certeza que aprendeu tudo aquilo que lhe foi ensinado no plano espiritual quando vencer suas imperfeições, ultrapassar seus próprios obstáculos e superear as tentações de sua vida terrena.

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Autoria: 
Márcia R. Farbelow e Hugo Puertas de Araújo