Ensinamentos do Irmão Karl


Em busca do grande mar. Mais uma vez utiliza-se o nosso grande amigo da sua fértil criatividade construindo uma narrativa envolvente que elucida e fortalece o nosso árduo caminhar neste mundo de provas redentoras.

Imaginem, diz-nos ele (na crônica poética de quem lhes escreve), uma criatura habitando o profundo das florestas gigantescas, sem horizontes, tendo como céu a copa das árvores, a quem seus maiores lhe disseram da existência, ainda que distante, de um grande mar, coroado por um céu azul anil, de praias douradas e espumas flutuantes à beira de verdes montanhas de onde se descortinam horizontes de infinita beleza, onde, dizem, moram os deuses.

Fortemente tocado por esta grandiosa e desconhecida visão, ansiando sua alma por esta morada de luz, sai ele do seu habitat estreito e põe-se em marcha em busca do grande mar, tendo a guiá-lo a trajetória do sol entre as árvores.

Longas e exaustivas são as suas jornadas, enfrentando a inclemência do tempo, pântanos e fauna selvagens, seres hostís, dias de alento e incertezas, de temores, de solidão, de saúde e de doença, de sombra e de luz, mas a cada obstáculo, a cada contratempo, a visão na sua tela mental daquele grande mar infunde em seu coração forças poderosas de bom ânimo e perseverança, e ele os sobrepuja a todos, retomando incansavelmente seu rumo, animado pela sagrada visão e guiado pela trajetória inarredável do sol.

Nesta altura, interrompe o Irmão Karl a sua narrativa e nos diz que esta deve ser a representação de nossas próprias vidas em busca da nossa redenção pela posse, em nosso coração, daqueles tesouros que Jesus denomina de Reino de Deus e sua Justiça. Guiados pelo sol da proteção e misericórdia divinas, devemos empreender a depuração de nossas almas compreendendo que em cada desafio, prova, obstáculo, está a oportunidade bendita da transformação, iluminados constantemente pela visão sublime do desfecho colimado, espelhando-nos no modelo evangélico do amado Mestre Jesus, que nos ampararão com forças irresistíveis de superação e vitória.

Sim, porque (lembra o cronista) o Reino de Deus e sua Justiça existem, e bem perto, dentro de nós mesmos. Embora os fatos se desenrolem fora de nós, é dentro de nós, numa jornada interior, que se opera a luta redentora para erradicar de nossa natureza toda a animalidade residual, irracional e impulsiva, que ainda se aninha em nossa alma, à fim de que aquela partícula divina, aquela centelha que Deus nela introduziu, semente potencial de todas as virtudes, se manifeste, gloriosa, na presença do seu Reino de Amor, em nosso coração, enquanto encarnados.

Este mesmo Reino de dentro de nós, ao longo dos multimilênios, também nos fará partícipes, espíritos imortais que somos, dos planos superiores que formam as ultradimensões infinitas do Reino Universal do Amor.

Autoria: 
Raphael Rios