Daltonismo Espiritual


Durante a nossa caminhada por este planeta de provas e expiações, por vezes, nos deparamos com seres humanos que apresentam em seus órgãos visuais, uma incapacidade para diferenciar ou para perceber certas cores, o que lhes acarreta algumas dificuldades, sejam no campo profissional, social, ..., e que a medicina diagnostica denominando-a de daltonismo.

Muitas destas criaturas, desconhecendo que são portadoras deste distúrbio, permanecem equivocando-se na avaliação das cores, julgando-as corretas, quando na verdade, encontram-se em erro, até que, um dia, alertadas por alguém ou visitando um oftalmologista, acabam tomando conhecimento da anomalia que, há tempos, as persegue.

A partir de então, conscientizam-se dos inúmeros enganos de avaliação que cometeram no passado e que poderiam ter sido evitados, caso tivessem tido o prévio conhecimento deste incômodo fato.

Tendo em vista o que acabamos de expor, por analogia, tomamos a liberdade de dizer que existem, por este mundo afora, inúmeros seres humanos, que permitimo-nos denominar "Daltônicos Espirituais", que, em realidade, carregam na alma o orgulho frívolo que lhes embaça a visão espiritual, fazendo-os enxergar, em si próprios, valores que não possuem e que, em vão, tentam ilustrar, mas que os olhos alheios não conseguem visualizar.

Assim sendo, enganam-se em seus levianos julgamentos, deixando um rastro de pretensão, inquietação e injustiça por onde transitam.

Estas criaturas, equivocadas, constantemente enlaçadas pela mágoa, ressentimento, revolta até, acabam por transformar amizades sinceras, despretensiosas, em malquerenças, retardando seu encontro com a doce fraternidade.

Confusas que estão, são capazes de converter palavras a elas dirigidas, destituídas de qualquer maldade, em dardos afiados a lhes ferirem as entranhas da alma orgulhosa, escrava do melindre.

Transfiguram atitudes, gestos, olhares naturais a elas endereçados, em manifestações de desrespeito às suas pessoas, envolvidas que estão pelo orgulho pretensioso e enganador.

Estes seres humanos têm a capacidade de transformar boatos, fuxicos, em verdades absolutas, assim como, informações irresponsáveis, superficiais, falsas até, em fatos irrefutáveis, só porque lhes atingiram a intimidade, carregada de melindre.

São capazes de enxergar prepotência e vaidade em pessoas espontâneas, despretensiosas, tão somente porque estas criaturas exteriorizam aptidões ou qualidades que eles não possuem, fazendo-os sentirem-se feridos em seus brios ilusórios, prisioneiros que estão do orgulho persistente que lhes acompanha os passos.

Assim agindo, estes seres humanos, aos poucos, vão se tornando cativos da solidão, ante-sala da tristeza que, por certo haverão de vivenciar nos seus amanhãs.

Todavia, se estes irmãos de jornada abrirem as portas dos seus corações e convidarem o Mártir da Cruz para neles adentrar, haverão de, gradativamente, eliminar o "Daltonismo Espiritual" que até então lhes fazia companhia, visualizando a vida através de novos e coloridos ângulos, distanciando-se do orgulho irreverente que outrora lhes prejudicava a visão, dificultando-lhes a caminhada, retardando-lhes o sublime encontro com Jesus.

Assim agindo, haverão de desfrutar momentos de inigualáveis alegrias, entrevendo as cores vivas da felicidade que, pouco a pouco, seus olhos espirituais passarão a enxergar.

Ave Cristo!

Autoria: 
Marcial Ferreira Jardim