Hipnotismo à Luz do Espiritismo


PERGUNTA DE BRÁS KAJIMOTO: Como funciona o hipnotismo à luz do Espiritismo? O hipnotizador tem algum poder sobre a pessoa? Eu já testemunhei pessoa hipnotizada com atitudes bizarras.

É difícil definir exatamente o que é o hipnotismo, mas muitas fontes sobre o assunto concordam em dizer que o mesmo é simplesmente um processo de comunicação entre duas pessoas, onde a vontade de uma prevalece sobre a da outra. Não se trata propriamente de um poder que alguém exerce sobre outrem mas sim da capacidade de sugestionar exercida por um e aceita por outro.

Há um limite para a submissão do hipnotizado, além do qual o hipnotizador não poderá forçá-lo. Tal limite varia de pessoa para pessoa, sendo esse o motivo pelo qual apenas uma pequena minoria é profundamente hipnotizável, enquanto que a maioria é mais ou menos hipnotizável, existindo até aqueles que não são hipnotizáveis em grau algum. Podemos dizer que a nossa mente funciona em vários níveis de consciência, que variam desde o estado de alerta, quando estamos plenamente acordados e vigilantes, até o estado de sono profundo, quando estamos o mais adormecidos possível. O hipnotismo funciona num estado intermediário entre esses dois extremos, bem mais próximo do sono do que da vigília. Sabemos do espiritismo que o espírito se desprende do corpo conforme adormecemos e, através das experiências de Albert de Rochas, também sabemos que essa exteriorização é gradual, provavelmente sendo tão maior quanto mais profundo o nosso estado de sono. Talvez, e aqui já estamos no terreno das especulações, o corpo humano, enquanto um animal autônomo, ou seja, que possui vida orgânica independentemente da "vida intelectual" exercida pelo espírito, deva ser capaz de acatar "sugestões" não só do próprio espírito mas também de qualquer outra inteligência comunicante. E como o espírito estaria "afastado" pelo estado do sono (pode ser o sono hipnótico, induzido, ou mesmo o natural, como os hipnólogos bem sabem), o corpo passaria a responder diretamente a essa inteligência externa, até o limite em que o próprio espírito intervenha e não permita que tal ato seja executado.

Casos de obsessão mais fortes, que são algumas vezes chamados de possessão, poderiam ser casos análogos aos do hipnotismo com a diferença de que a inteligência externa seria a de um espírito desencarnado, e como sabemos, a influência do espírito é tanto maior quanto menor a força de vontade do obsediado em se libertar e modificar seus processos mentais. Talvez esse seja um paralelo que nos permita compreender um pouco mais sobre o hipnotismo. Nesse caso, também poderíamos falar de hipnotismo de espírito para espírito, sem a intervenção do corpo físico. Parece então que tudo se resume a um processo de imposição de vontade que só é possível se o "hipnotizado" aceitar tal influência (de novo voltamos ao fato de existirem pessoas que não são hipnotizáveis ou o são muito pouco). É o nosso livre-arbítrio se impondo conforme a nossa própria força de vontade em fazê-lo, ou não.

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Autoria: 
Márcia R. Farbelow e Hugo Puertas de Araújo