Afinidades entre encarnados e desencarnados


Pergunta de Maria da Graça Gonçalves Ribeiro Pereira, da cidade de Barroselas, em Portugal: Gostaria de saber se um médium que capta uma mensagem de um suicida tem, pela lei da afinidade, tendências suicidas?

No caso da pergunta, um espírito pode aproximar-se de nós, simplesmente por estar precisando de alguma ajuda e por alguma afinidade, mesmo que momentânea.

Disso pode advir algum prejuízo para nós, pois ao estarmos em contato psíquico com o espírito, tendemos a sentir as suas sensações, o que pode nos ser bastante desagradável, mesmo não sendo essa a intenção do espírito.

Já quanto ao cerne da questão, a afinidade psíquica é o que realmente comanda o inter-relacionamento entre os espíritos, encarnados e/ou desencarnados.

Assim, se houve aproximação, então há algum tipo de afinidade, mas não necessariamente tendências do mesmo tipo.

Às vezes, a simples vontade de ajudar alguém pode criar algum tipo de laço que atrairá espíritos necessitados, suicidas, alcoólatras, etc, o que não implica que a pessoa que os atraiu seja ela própria, suicida em potencial, alcoólatra em potencial.

Um exemplo típico desse caso é quando nos propomos a fazer alguma visita a asilos, hospitais e acabamos por voltar "acompanhados" por espíritos presentes nessas instituições e que se apegaram a nós. Daí a importância de se fazer uma preparação espiritual e emocional ao nos propormos a essas visitas.

Pode haver alguma confusão, quando falamos em afinidades e tendências, pois o espírito suicida, ao se aproximar, pode induzir, mesmo sem querer, pensamentos ruins com o teor do suicídio na mente do médium com o qual está em contato. Mas isso não implica que o médium tenha tendências ao suicídio.

Esse tipo de sensações são normais de aparecerem, em qualquer caso, mas elas indicam que o médium não está devidamente preparado e que precisa trabalhar mais no sentido de conter os sentimentos que provém do espírito.

Sem isso ele pode se prejudicar e certamente não deve se dedicar ao trabalho ativo na mediunidade sem ajustar antes essa falha.

Da mesma forma que o médium deve filtrar as palavras do espírito e não lhe dar liberdade total, especialmente trabalhando com espíritos sofredores, também com relação aos sentimentos, o médium deve proceder à mesma filtragem.

Já no caso de o médium não ser pessoa que trabalhe com a mediunidade em um Centro, como por exemplo alguém que tenha a mediunidade aflorada naturalmente e que nunca se dedicou a isso, essa pessoa deve ser orientada a fazer um curso de preparação com um forte estudo da mediunidade pois ela precisa aprender a controlá-la para evitar prejuízos pessoais.

Esse conselho, aliás, é o mesmo que se deve dar às pessoas com problemas de obsessão em geral, pois o quadro de aproximação pode evoluir para um de obsessão, mesmo quando o espírito não tem intenção de prejudicar, mas pelo simples fato de ele estar ali precisando de ajuda e sem haver nenhum tipo de encaminhamento.

Os verdadeiros laços de afinidade são sempre espirituais. São estabelecidos através de vivência entre Espíritos encarnados e desencarnados, no esforço mútuo de se compreenderem, de se realizarem, buscando assim o equilíbrio psíquico.

Este esforço pode ser em ambos os sentidos, tanto no positivo para o bem, como no negativo para o mal, na elevação como na queda espiritual.

Desse modo as mentes afins tornam-se mananciais vivos de energias criadoras ou destruidoras, agindo em conjunto, irmanadas em verdadeira simbiose.

Protegidos pela afinidade que lhe aumenta a força e a intensidade, sempre atingirão os objetivos e as finalidades para os quais se aliaram.

Conversação alimenta conversação. Pensamentos ampliam pensamentos, demorando-se com os quais se afinam.

Pelo que se depreende, não é fácil ao indivíduo libertar-se da corrente a que se filiou: necessário será muito esforço e vontade para quebrar todos os laços que o liga ao seu afim.

Mas é possível, ajudados pelas correntes mais poderosas do amor e do bem, arrancar aqueles que estão filiados às correntes do mal

O caminho é a prece. Ela nos ligará aos que já avançaram.

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Autoria: 
Hugo Puertas de Araújo e Márcia Regina Farbelow